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MCA Arquitetura e Design ganha concurso da Codhab-DF para projeto de unidades habitacionais em Samambaia

Segundo júri, proposta se destacou pela inovação da organização do pavimento tipo, que propicia a ventilação cruzada e contribui para o conforto das unidades com a criação de pequenos espaços de convívio social

Luísa Cortés, do Portal PINIweb
26/Setembro/2016

O escritório MCA Arquitetura e Design, de Curitiba, foi o vencedor do Concurso Público Nacional de Estudo Preliminar de Arquitetura para Unidades Habitacionais Coletivas de Samambaia, promovido pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional do Distrito Federal (Codhab-DF). O resultado foi divulgado na última sexta-feira (23). Ao todo, 116 propostas participaram da competição.

O trabalho, segundo a comissão julgadora, destacou-se pela inovação da organização do pavimento tipo, que propicia a ventilação cruzada e contribui para o conforto das unidades com a criação de pequenos espaços de convívio social. Participaram da equipe: Manoel Coelho, Antonio Abrão, Andréia Ferrari, Victor Escorsin, Eduardo Cecco e Patrícia Sledz.

O projeto baseia-se em cinco conceitos principais: densidade, economicidade, diversidade, identidade e sustentabilidade. Em termos de densidade, foi procurado utilizar o máximo do potencial construtivo do terreno, com especial atenção ao cone visual para o cálculo dos recuos que estabelecem o número máximo de pavimentos permitidos, e o aproveitamento da área máxima de construção.

Em relação à economia de recursos e à racionalidade construtiva, o trabalho utiliza como sistema construtivo a alvenaria estrutural em blocos de concreto e laje pré-fabricada para pavimentos tipo. O embasamento e subsolos, previstos em concreto moldado in loco, permitem a transição para vãos com a dimensão adequada às devidas funções dos pavimentos.

Também houve a preocupação do arquiteto em estabelecer uma fragmentação volumétrica para diminuir a aparência monolítica da edificação. Para isso, foram subtraídos os segmentos que possibilitam elaborar um jogo de cheios e vazios. A implementação foi feita em forma de catavento, com unidades posicionadas nas quatro fachadas e que criam “olhos para a rua”, estabelecendo diálogo e relações visuais com o entorno imediato. Para complementar, há a alternância de cores, texturas, posicionamento entre janelas, varandas e painéis de veneziana.

Para contribuir com a identidade do lugar, foram disponibilizados alguns espaços de convívio aos moradores, como solário para secar roupas, recreação infantil, leitura, jogos ou dominó entre idosos, churrasqueira, horta comunitária ou simplesmente um espaço para encontro, bate-papo ou contemplação da paisagem do entorno.

Está proposta junto ao acesso principal a criação de uma praça arborizada, que possa articular o edifício ao sistema viário e aos demais equipamentos próximos, como ciclovia e jardim de infância.

As unidades atendem às diretrizes do Minha Casa Minha Vida, da Norma de Desempenho NBR 15.575 e da Norma de Acessibilidade NBR 9050. O acesso a elas é feito a partir de passarelas soltas das paredes laterais, permitindo novas relações visuais entre os pisos e maior ventilação e iluminação natural.

Os conectores delimitam um espaço semi-público, que funciona como uma extensão da moradia. Ali, os moradores podem colocar uma cadeira para conversar com o vizinho, um vaso ou uma bicicleta.

Os cômodos principais, como quartos e salas, estão localizados nas faces externas, o que garante maior privacidade. No trecho central encontram-se as áreas “molhadas”: sanitário, cozinha e área de serviço, com o cobogó em concreto que possibilita a ventilação. A pequena sacada na sala amplia a sensação e o uso do espaço interno da unidade. O mesmo padrão é seguido para os cinco terrenos propostos pelo edital, com pequenos ajustes nas cotas de implantação dos acessos.

Quanto à sustentabilidade, o projeto prevê medidas quanto à construção e aos materiais, à energia, ao uso da água e ao conforto ambiental. No primeiro item, o uso de alvenaria estrutural e lajes pré-fabricadas otimizam os processos e evitam o desperdício no canteiro de obras.

O aproveitamento da iluminação natural, por sua vez, é aplicado através do vazio central, e diminui a necessidade da iluminação artificial. O projeto ainda prevê o uso de painéis solares para o aquecimento de água, iluminação nas áreas comuns em LED, temporizadores, sensores de presença e medidores individualizados.

O uso de água será reduzido com a coleta e tratamento das águas pluviais para reuso em vasos sanitários e irrigação de jardins. Além disso, o uso da ventilação cruzada em todas as unidades e as janelas piso-teto para o aproveitamento da iluminação natural garantem mais conforto ambiental. Quando pronto, é previsto que o projeto poderá receber certificações ambientais.

O segundo lugar foi destinado ao trabalho de Pablo de Caldas Paulse, Felipe Sandri, Huber Teixeira e Isabella Brito, de Goiânia (GO). Já o terceiro ficou com Nonato Veloso, Ana Carolina Moreth, Isabella Souza, Maria Eduarda Millington, Rodolfo Marques, Ana Orefice, Hermes Romão e Igor Campos, de Brasília (DF). Foram concedidas ainda menções honrosas a Eron Danilo Costin (Curitiba/PR), REPUBLICA Arquitetura + MARCOZERO Estúdio (São Paulo / SP), Celio Diniz Ferreira Filho (Rio de Janeiro / RJ), 0E1 + MASA (Porto Alegre / RS), Renato Dal Pian (São Paulo / SP) e Fernando Caldeira de Lacerda (Curitiba / PR).

A comissão julgadora considerou critérios como a valorização da acessibilidade e dos espaços públicos, soluções de conforto térmico e eficiência energética, economia e eficiência na manutenção, viabilidade técnico-construtiva, e aspectos plásticos e estéticos.

Os três primeiros colocados receberão, prêmios de R$ 30 mil (1º), R$ 20 mil (2º) e R$ 10 mil (3º). Aqueles reconhecidos com menções honrosas receberão diplomas específicos.

Confira os projetos dos demais vencedores clicando aqui.



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