Número de pessoas que contratam arquitetos é menor do que o esperado pelo CAU-BR | aU - Arquitetura e Urbanismo

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Número de pessoas que contratam arquitetos é menor do que o esperado pelo CAU-BR

Presidente da entidade diz que levantamento deve nortear trabalho de conscientização do conselho sobre a contratação dos profissionais

Maryana Giribola
12/Outubro/2015
Divulgação: CAU/BR

Apenas 7% dos brasileiros já utilizaram serviços de arquitetos em obras, aponta uma pesquisa encomendada pelo Conselho dos Arquitetos e Urbanistas do Brasil (CAU-BR) para revelar o entendimento da população sobre as atribuições de arquitetos e urbanistas. O levantamento também mediu o protagonismo dos profissionais no planejamento das cidades, além de levantar atributos, benefícios e valores relevantes em relação à atuação e obter avaliação dos serviços realizados a respeito do trabalho dos arquitetos e urbanistas.

Em entrevista à redação de AU, o presidente do conselho, Haroldo Pinheiro, falou sobre os resultados da pesquisa (acesse o conteúdo completo aqui) e sobre as ações que CAU-BR deve tomar a partir do levantamento. 

Como avalia o resultado geral da pesquisa?

Pelos extratos sociais que foram atingidos na pesquisa, já esperávamos que a população não tivesse muita confiança na possibilidade de contratar um arquiteto. Mas passamos a entender melhor os porquês. O que mais chamou atenção foi que só 7% dos que já fizeram reforma ou obras usaram o serviço de arquitetos. Menos do que imaginávamos. Mas desses 7%, a maioria ficou satisfeita e contrataria de novo. Esse é um índice de fidelização muito bom e os 93% das pessoas que não contrataram arquitetos são um campo fértil para trabalharmos.

Vocês já sabem como levar esse esclarecimento a tantas pessoas?

São várias as faixas de trabalho. Uma delas é junto ao governo e às prefeituras. Pela internet, podemos atuar ajudando as pessoas na busca pelos serviços e ensinando-as sobre como é melhor contratar os profissionais. A diferença é que, com a pesquisa, conseguimos atuar com foco, e não mais com base na intuição.

A maioria da população atingida pela pesquisa é de classe C e E, que entra muito no ramo de autoconstrução...

Que nos interessa também. É uma área muito grande da nossa atuação profissional e que, se não tem glamour, tem importância essencial para a cidade e coincide com o trabalho que estamos fazendo sobre assistência técnica. Existem escritórios que estão se especializando em construções de comunidades, favelas ou em terrenos para baixíssima renda.

Pensam em fazer algum tipo de parceria com universidades?

Sim, mas com uma abordagem mais cautelosa. Não adianta formar arquitetos que sabem ou que acham que sabem fazer estádios e pontes, edifícios de grande altura, hospitais, aeroportos. As universidades têm de atentar mais para esse cotidiano que precisa de conhecimento científico. Além disso, é bom que o estudante também tenha uma experiência prática, embora o ideal fosse que eles tivessem isso como final de curso. A UIA recomenda cinco anos de graduação e mais dois de residência técnica. O ideal é que eles fizessem esses dois anos pra que possam contribuir, pensar, responsabilizar-se e não apenas sair desenhando. 

Vocês têm alguma pretensão de mudar esse ensino?

Temos proposto sim. Inclusive encaminhamos uma proposta de revisão das diretrizes curriculares incluindo a residência técnica. Em breve deve ser feita uma audiência pública para tratar disso. Ainda é uma iniciativa muito discreta. Gostaria que fosse mais arrojada. Mas temos de trabalhar com o possível para não haver uma reação muito forte tanto dos professores quanto dos estudantes.

Como está a briga entre os arquitetos sobre a reserva técnica?

A campanha que iniciamos agora já estava programada, foi uma coincidência acontecer logo depois da sanção aplicada à arquiteta em São Paulo. E dado ao fato de que quem denunciou foi um fornecedor, estamos achando que vale a pena antecipar a segunda parte da campanha, trabalhando com os lojistas. A receptividade das pessoas que estão sendo favoráveis tem sido grande, embora muita gente tenha reagido também. Houve presidente de CAU que reagiu porque recebeu uma pressão muito forte de grupos de arquitetos que cobram a comissão. Esse não é só um problema moral ou ético, hoje também é um problema econômico que temos de combater. Arquitetos estão se formando acreditando que a prática é comum.

 



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