IAB e CAU também criticam permissão de ensino à distância para cursos de arquitetura e urbanismo | aU - Arquitetura e Urbanismo

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IAB e CAU também criticam permissão de ensino à distância para cursos de arquitetura e urbanismo

Entre os argumentos está que curso não presencial implicaria no perigo à vida de futuros usuários das obras produzidas por tais profissionais

Luísa Cortés, do Portal PINIweb
7/Fevereiro/2017
Shutterstock

O Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB) e o Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU) também divulgaram na última semana manifestações contrárias à implementação de cursos de arquitetura e urbanismo à distância. As declarações vêm após a carta aberta publicada pela Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura e Urbanismo (ABEA), que pede a suspensão imediata da modalidade para o curso. 

O IAB enviou uma carta para o Ministro da Educação, Mendonça Filho, no dia 30 de janeiro, solicitando a revisão da decisão. Para a entidade, o ensino à distância implica no perigo à vida de futuros usuários das obras produzidas por tais profissionais. "Tal decisão implica risco a sociedade, demonstrando o necessário rigor ao tratamento do assunto", destaca um trecho da carta.

No texto, entretanto, a entidade lembra a importância da educação à distância, enfatizando apenas que o modelo não traz certos atributos que são indispensáveis à formação de um arquiteto e urbanista. "Tal formação tem o Projeto como estrutura pedagógica, uma vez que o Projeto é a atividade matriz dos conteúdos indispensáveis à profissão. E o Projeto, como reconhecido internacionalmente, é simultaneamente pesquisa e proposição, fruto de uma elaboração complexa, autoral, assequencial, fundada na reflexão e na interpretação de informações múltiplas e diversificadas", diz o documento.

O CAU, por sua vez, manifestou a preocupação quanto à medida com a publicação de um artigo de seu conselheiro Luiz Contier, criticando a decisão do Ministério da Educação. "Sem a obrigação de qualidade, independente da possibilidade de se garantir a formação de um arquiteto dessa forma, fica a pergunta: por que autorizar um curso de arquitetura totalmente por EaD? Os 83.700 arquitetos detectados pelo CAU mais o contingente massivo anualmente colocado no mercado pelos 466 cursos já instituídos são insuficientes? A presença de cursos de arquitetura em 210 cidades das 27 unidades da federação não é abrangência suficiente?", argumentou.

E complementa: "Se não é pela falta de arquitetos, outra razão seria a oferta de um curso mais "em conta" para o aluno. Sabemos que o principal custo do ensino é a folha de pagamento. Sem esse entrave, podemos dizer que chegamos ao ponto onde as IES estão entregando os diplomas de arquiteto sem intermediários, em módicas prestações?".

 



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