Projeto de Carlos Ott, vencedor de concurso, traz tecnologias específicas para o edifício construído em madeira aos pés da Cordilheira dos Andes | aU - Arquitetura e Urbanismo

Edifícios

Aeroporto Internacional de Ushuaia

Projeto de Carlos Ott, vencedor de concurso, traz tecnologias específicas para o edifício construído em madeira aos pés da Cordilheira dos Andes

Aeroporto
Cobertura
Internacional

Haifa Y. Sabbag
Edição 83 - Abril/1999
Foram grandes os desafios técnicos enfrentados para a realização do aeroporto internacional de Ushuaia, a cidade mais austral do mundo, situada entre as bordas do Canal Beagle e a Cordilheira dos Andes. Os objetivos, no entanto, superaram as dificuldades. Pretendia-se que um aeroporto amplo e seguro (nas "Malvinas Argentinas") pudesse promover a integração dos territórios insulares ao continente, gerando o desenvolvimento da economia local e do turismo e, mais ambiciosamente, impulsionar o país em direção ao Continente Antártico, a partir de uma infra-estrutura segura e com alto grau de operatividade.
Em vista do significado político, social e tecnológico do empreendimento, Carlos Ott pôde declarar que o mesmo constitui uma conquista no desenvolvimento integral e futuro de Ushuaia e uma nova e magnífica porta de entrada para a "terra do fim do mundo", como a denominou Julio Verne, antes de a Terra do Fogo se tornar um paraíso turístico pela paisagem única de montanhas, glaciares, bosques e mar. O projeto de Ott, vencedor de concurso para o aeroporto, recebeu o Grande Prêmio Latino-Americano da Crítica, na última Bienal de Buenos Aires, e foi um dos fortes candidatos ao primeiro Prêmio Mies van der Rohe Latino-Americano, ocorrido em setembro passado no Rio de Janeiro.
Executar a obra por etapas foi uma das estratégias para a viabilização do terminal. O planejamento exigiu, de início, a demolição de três morros e o aterro de um vale para a difícil construção de 250 mil m2 de pistas, plataformas e acessos viários. O clima, caracterizado por frio rigoroso e instabilidade, com temperatura média de 5o C além de fortes ventos, e a geologia formada por terrenos rochosos dos Andes demandaram numerosos artifícios para garantir a qualidade da pista de concreto e de outras medidas a fim de tornar o aeroporto o mais moderno e seguro do país.
Em estágios sucessivos foram executados a infra-estrutura de serviços e o edifício da Torre de Controle, uma construção isolada, de baixa altura mas situada numa pequena elevação que permite visuais das cabeceiras das pistas, tanto do aeroporto quanto da Base Aeronaval vizinha. Nele, situa-se quartel para o corpo de bombeiros e de resgate, com bombas e equipamentos para remoção da neve e limpeza da pista - único sistema de detecção de gelo em pista instalado em um aeroporto argentino.

UMA SINGULAR COBERTURA DE MADEIRA
Abrigando o Terminal de Passageiros, a generosa cobertura de duas águas, em madeira laminada, transmite aconchego e calor aos passantes dessa gelada região. A estrutura e outros elementos também em madeira, aliados à pedra local que reveste as paredes (materiais tradicionais na cidade), surpreendem pelo contraste com os novos aeroportos internacionais de aço e vidro construídos recentemente nos quatro cantos do mundo. Segundo o arquiteto, os visuais voltados para a magnífica paisagem e o uso adequado da luz natural - aspectos fundamentais do projeto - foram objeto de estudo detalhado e que, somados aos vitrais, realçam as qualidades do edifício.
Com uma área superior a 5 mil m2, o aeroporto contém as salas de embarque, grande hall onde se alinham locais comerciais, serviços, cafeteria, e um restaurante acessado por escada helicoidal. Na área não pública, os espaços se comunicam por meio das salas de controle de equipagem, aduana, migração, posto médico e outras áreas de apoio. Uma bem estudada sinalização orienta e conduz o usuário aos diferentes espaços. As escadas, localizadas na parte central, levam ao andar superior, separando as alas dos vôos nacionais e internacionais. As salas de espera contam com vista para a plataforma de embarque e para os ambientes do térreo. Em ambas existem cafés e sanitários.
O acesso às aeronaves desenvolve-se no corpo central onde se situam as zonas de embarque, através de "fingers" móveis. Entre eles, estão os escritórios técnicos e a sala VIP. Nos extremos do edifício, foram planejadas as saídas de emergência e de serviços para o pessoal
das pistas.
O arquiteto uruguaio Carlos Ott apostou em "formas puras, simples e categóricas" para o projeto do aeroporto de Ushuaia, capital da Terra do Fogo, na Argentina. A intenção era de que a obra fosse notada a grandes distâncias - especialmente do alto. Pretendeu-se com essa geometria marcante o necessário equilíbrio entre a paisagem belíssima, generosa mas também condicionante, e a obra nela implantada. Modernas tecnologias foram aplicadas no pequeno e importante edifício construído em madeira, visando resolver problemas funcionais de um terminal aéreo para o século XXI, fincado no extremo sul do continente americano.
Ficha Técnica
Arquitetura: Carlos Ott
Localização: Ushuaia, Terra do Fogo, Argentina
Construção: London Supply
Ano do projeto: 1995
Inauguração: junho de 1997
Área coberta: 5.400 m2
Acessos cobertos e semicobertos: 1.459 m2
Área de estacionamento e circulações: 10.191 m2


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