Contrastante e, ao mesmo tempo, bem inserido na paisagem, projeto une volume destacado em relação ao solo e painéis de vidro a linguagem urbana | aU - Arquitetura e Urbanismo

Residencial

Obra Arquitetos . São José dos Campos, SP . 2015

Contrastante e, ao mesmo tempo, bem inserido na paisagem, projeto une volume destacado em relação ao solo e painéis de vidro a linguagem urbana

POR: GUILHERME PIANCA MORENO FOTOS: RAFAEL SCHIMIDT
Edição 270 - Setembro/2016

"Um projeto simples, escancarado para a cidade." Dessa maneira o arquiteto João Paulo Daolio descreve a Imobiliária Kogake localizada no bairro de Vila Ema, em São José dos Campos, no interior paulista. O projeto desenvolvido pelo Obra Arquitetos - escritório dirigido por Daolio e Thiago Natal Duarte - procura oferecer relações visuais e físicas mais francas com seu entorno, em contraste com o contexto imediato onde tanto o casario de baixo gabarito como as torres de condomínios residenciais têm suas fachadas marcadas por gradis e muros.

O lote de esquina, destinado ao projeto, direciona algumas operações dos arquitetos: os principais núcleos de trabalho da imobiliária concentram-se no primeiro pavimento e no subsolo do edifício, de maneira a diminuir a ocupação do térreo.

Volumetricamente menor que o primeiro pavimento, o térreo tem suas faces principais definidas por grandes painéis fixos de vidro, que revelam a estrutura metálica do conjunto e expõem os programas dispostos nesse pavimento: recepção; núcleo de circulação vertical e duas salas de atendimento, também marcadas por divisórias de vidro. Com tal disposição, são oferecidas duas alas cobertas que servem como extensão do acesso e cobertura parcial para vagas de carros de visitantes.

O primeiro pavimento abriga quatro salas de trabalho voltadas para a fachada de maior extensão, na rua Comendador Remo Cesaroni. Todas essas salas possuem amplos painéis de vidro alinhados junto ao primeiro renque de pilares e voltados para uma varanda em balanço. Essa varanda é marcada pelas paredes limites e lajes, enfatizando o destacamento do volume do primeiro pavimento em relação ao térreo. Junto à rua Justino Cobra, a fachada é predominantemente opaca, destacando o balanço mais acentuado do volume. A única abertura de luz dessa face é destinada à sala de reunião principal do conjunto. Como compensação de área, a varanda é orientada para um dos lotes do fundo. Recuado em relação ao volume principal, a cobertura abriga a área de estar do conjunto, predominantemente ao ar livre.

O subsolo, por sua vez, concentra as operações arquitetônicas mais sofisticadas para conseguir trazer luz para esse pavimento e também erradicar a tendência a isolamento visual desse tipo de solução. No térreo, um módulo estrutural é rompido junto à fachada, configurando um salão de pé-direito duplo no subsolo exposto para a cidade. Na fachada dos fundos, parte do arrimo inclinado é realizada em toda a extensão, trazendo luz e permitindo também ventilação natural desse pavimento. A planta do pavimento é a menos seccionada de todo o conjunto, garantindo que todas as luzes captadas sejam aproveitadas. Comum a todos os níveis, o núcleo de circulação e as áreas molhadas são voltados para a fachada do fundo, evitando situações de poucas luz ou ventilação de ar.

O projeto faz uso de técnicas construtivas secas e de alto rendimento: a estrutura, exceto arrimos do subsolo, é em aço, e as lajes são feitas em steel deck.

A partir desse sistema e de maneira similar à realizada na residência LLM (AU 256), os arquitetos desenvolvem duas seções construtivas-tipo. Na primeira, destinada aos trechos internos do edifício do primeiro e segundo pavimento, as lajes são armadas sob o banzo superior das vigas de aço. Têm as infraestruturas encaminhadas entre a extremidade inferior da laje e o banzo inferior das vigas. Nesse caso, as lajes são acabadas com uma camada.

Na segunda seção, presente nos trechos exteriores (cobertura e varanda), as lajes são armadas sobre o banzo inferior das vigas metálicas. Dessa maneira, permitem que no desnível entre o topo da laje e o topo dos banzos superiores das vigas seja armado um sistema de piso elevado, feito com placas de aço. Estas são pintadas em epóxi e montadas com frestas entre si para permitir o escoamento pluvial. Como desdobramento dessas seções construtivas, em alguns pontos do projeto o ritmo das vigas metálica se faz presente, acentuando a legibilidade da construção.

 

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