Felipe Hsu e Lucas Bittar projetam o edifício residencial Amoreira, em São Paulo | aU - Arquitetura e Urbanismo

Edifícios

Felipe Hsu e Lucas Bittar . SP . 2012/2016

Felipe Hsu e Lucas Bittar projetam o edifício residencial Amoreira, em São Paulo

POR LUIZ FLORENCE FOTOS PEDRO KOK
Edição 267 - Junho/2016

Para descrever o que faz o edifício Amoreira se destacar dos demais empreendimentos residenciais da cidade, é necessário falar sobre os limites da arquitetura, onde termina a contribuição dos arquitetos no desenho das cidades e onde predomina o discurso do mercado imobiliário. São pouquíssimos os exemplos que se alinham com a postura adotada no Amoreira: a de entender o discurso do mercado, aprender essa língua estrangeira para os arquitetos e, em vez de reiterar a arquitetura de arquitetos como exceção na cidade, saber propor algo novo dentro de sua própria linguagem.

Ao se aproximar da metrópole de São Paulo por avião, percebemos uma paisagem pouco atraente, repleta de edifícios altos, quase todos na cor bege pálida, da qual os arquitetos e críticos de arquitetura da cidade não se orgulham. Quando não são cópias industrializadas e grosseiras de motivos do passado, construções artificiais de uma suposta tradição neoclássica de um povo indígena, são inúmeras torres quase idênticas, numa geometria desconstruída, porém de uma mesmice sufocante. Seus materiais de revestimento normalmente são imitações baratas de outros: azulejos que imitam pedras; pastilhas que imitam tijolos; tintas e massas plásticas que imitam concreto armado aparente.

De maneira a se separar dessa produção de baixa qualidade que figura na cidade, os arquitetos Felipe Hsu e Lucas Bittar assumiram uma postura deliberadamente periférica, como espectadores e críticos da construção que predomina na cidade. Questões sobre legislação de corpo de bombeiros, aproveitamento máximo de área computável, organização otimizada do espaço e circulações de garagem e subsolo, e leitura das pesquisas de interesse do público consumidor de apartamentos não figuram em cursos das faculdades de arquitetura e urbanismo, e foram fundamentais para o projeto e obra deste edifício.

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