Pequeno edifício comercial se integra em altura com as casas de estreita rua em São Paulo e reúne diferentes profissionais, com projeto do escritório de arquitetura Vernare | aU - Arquitetura e Urbanismo

Edifícios

Vernare Projetos . São Paulo, SP . 2011/2014

Pequeno edifício comercial se integra em altura com as casas de estreita rua em São Paulo e reúne diferentes profissionais, com projeto do escritório de arquitetura Vernare

POR SIMONE SAYEGH FOTOS PEDRO VANNUCCHI
Edição 251 - Fevereiro/2015

A casa-escritório Yucca insere-se em um bairro tipicamente residencial, em meio ao mar de morros paulistano. Os aclives e declives acentuados são característica marcante da topografia da parte oeste da cidade, e a construção acaba por dispor de um terreno estreito e comprido com essa conformação. Seus vizinhos ainda convivem em um clima de interior, galos cantam em quintais e crianças brincam na rua. O desafio foi fazer nascer no terreno de aclive profundo uma construção com cara de casa e uso de trabalho. O projeto é do escritório de arquitetura Vernare, que também se instalou no local.

No prédio, que ocupa dois terços do terreno, também convivem assessor de imprensa, consultório de psicologia e uma ceramista, única profissional com acesso a um terraço. Juntos desfrutam de uma copa e de uma sala de reunião comunitária, dentro do espírito de coworking idealizado pela arquiteta Maria Inês Jabur Zemella, da Vernare. Propositadamente, o nome Yucca vem de uma planta que abriga muitos pássaros em convivência pacífica. "A Yucca habita meu imaginário porque em Ibiúna, onde tenho casa, existem milhares de ninhos de maritacas nos seus arbustos, verdadeiros condomínios, bem dentro do conceito do que sonhávamos fazer com essa casa de trabalho", explica Maria Inês.

Para integrar-se à paisagem típica, a casa não avança em altura mais do que o skyline da região. O aclive exigiu três arrimos, sendo térreo mais dois os pavimentos construídos. Há recuos frontal e algum posterior, mas a construção encaixa-se entre as casas vizinhas. Os materiais especificados remetem ao clima de residências: pedra portuguesa no piso, ladrilho hidráulico e madeira nas esquadrias e escada. A fachada recuada alterna o concreto dos elementos vazados e a madeira das esquadrias e brises das grandes janelas contínuas. A entrada é marcada por um mural de ladrilhos hidráulicos, alguns com a letra V, do escritório. O material recobre dois dos três arrimos, e sua porosidade minimiza o respiro da terra. O último arrimo é recoberto por pedra madeira.

O robusto corpo ortogonal da construção é dividido por uma leve escada metálica, que leva a pisos de ambos os lados, iluminada naturalmente por uma cobertura transparente. À volta desse eixo de circulação, portas de correr de vidro garantem acesso a cada andar. Em alguns pontos, a transparência do material foi contida por um painel de muxarabi que veda parcialmente o café/ sala de reuniões e o ateliê da ceramista.

Os pisos alternam cimento, massa epóxi autonivelante, vinil e madeira laminada. Parte do projeto hidráulico prevê a utilização da água de um córrego subterrâneo que passa pelo aclive, para irrigação dos jardins. A existência desse nível de água elevada exigiu fundações profundas, e cuidado redobrado com a vizinhança presente na rua há anos.

DADOS DA OBRA

ÁREA DO TERRENO 280 m²
ÁREA CONSTRUÍDA 280 m²
PROJETO 2011/2012
OBRA 2012/ 2014

WORK AT HOME
The Yucca home-office is situated in a typically residential borough, in the midst of a sea of São Paulo City hillsides. The steep uphill and downhill slopes are a striking characteristic of the city´s west side topography, and the construction winds up making use of a long, narrow lot with this shape. The neighbors continue to live in a country environment, with roosters crowingin the backyards and children playing in the street. The challenge was to raise a construction from the steep uphill slope on the grounds with the looks of a house to be used for work. The project was designed by the Vernare architectural office, which has also set up shop at this location. Also located at the building, which occupies two-thirds of the grounds, are a press agent, psychology office and a ceramist, which is the only professional with access to a balcony. They all share a break room and a community meeting room, within a spirit of coworking idealized by architect Maria Inês Jabur Zemella, from Vernare. In order to be integrated to the typical scenery, the house rises no higher than the region skyline. The upward sloop required three retaining walls, which include the ground floor plus another two constructed floors. The robust orthogonal body of the construction is divided by a light metal staircase, which leads to the floors on both sides and is naturally illuminated by a transparent roof. Surrounding this axle of circulation are sliding glass doors that assure access to each floor. At a few points, the transparency of the material was contained by a Muxarabi panel, which partially walls off the basement and the ceramist´s atelier.



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