Contêineres coloridos abrigam laboratórios na Insper, instituição de ensino em São Paulo, com projeto do escritório de arquitetura Vernare | aU - Arquitetura e Urbanismo

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Vernare Projetos . São Paulo, SP . 2014

Contêineres coloridos abrigam laboratórios na Insper, instituição de ensino em São Paulo, com projeto do escritório de arquitetura Vernare

Por: Simone Sayegh Fotos: Clovis Capelli
Edição 248 - Novembro/2014

O Insper é uma instituição sem fins lucrativos de ensino superior e pesquisa que ocupa duas torres comerciais na zona Sul de São Paulo. Oferece cursos de graduação e pós-graduação nas áreas de administração, economia e direito, e, em 2015, inaugura quatro novos cursos: engenharia, mecânica, mecatrônica e computação. O instituto destinou a essas novas disciplinas o quarto andar de seu campus, pavimento inteiramente remodelado pelos arquitetos Maria Inês Zemella e Luciano de Oliveira, da Vernare. Além do envolvimento de especialidades laboratoriais, o complexo programa exigia algumas condições básicas: a remodelação dos 1,6 mil m² de pavimento não poderia interferir no andamento das aulas e atividades dos outros cursos, e todos os paramentos, revestimentos, móveis e instalações dos laboratórios deveriam permitir mobilidade, pois poderiam ser desmontados e transportados para outro local. "O cliente nos trouxe desafios que se transformaram em oportunidades de implantar inovações e de trabalhar com uma equipe multidisciplinar", explica Maria Inês.

Com a questão da arquitetura móvel em mente, os arquitetos definiram para o espaço dois grandes conceitos de utilização. As salas de aula, de professores, fabricação de maquetes, reunião e administração são mais integradas e flexíveis, com caráter permanente de seus elementos. Já os ambientes destinados aos laboratórios são inteiramente fechados, para atender a questões técnicas, montados dentro de contêineres que carregam os conceitos logísticos e industriais de mobilidade e temporalidade. Foi uma saída ousada e impactante para abrigar laboratórios de alta tecnologia, passíveis de desmontagem.

Os arquitetos posicionaram as salas ao longo das fachadas do edifício e dispuseram os laboratórios no miolo, de frente ao grande corredor dos elevadores. Dois contêineres unidos e contínuos revestem-se da cor laranja, enquanto outro é azul, com base nas cores de pintura automotiva. Janelas escotilhas permitem ver o interior de cada laboratório, inteiramente brancos. O contraste de cores internas e externas e a independência do entorno - os contêineres são apoiados no chão e não tocam as lajes aparentes por onde correm as tubulações - reforçam ainda mais o caráter transitório da arquitetura.

Em sintonia com o impacto dos contêineres no pavimento, os ambientes ganham cor e textura. Os forros são interdependentes, cada espaço com o seu, mas o piso elevado com revestimento de lâmina vinílica reveste todo o pavimento. Nas quatro salas de aula e no laboratório de desenvolvimento de produtos, o FabLab, o projeto de acústica definiu placas de forro acústico montadas a partir de madeira reciclada, por onde pendem luminárias. Nas três salas reversíveis - que juntas transformam-se em um grande auditório - o forro é de madeira perfurada, com um desenho orgânico que quebra a ortogonalidade dos espaços. Assim também se desenvolve o forro de gesso dos corredores de circulação, que conversam com as faixas vermelhas do piso, incorporadas ao corte do revestimento vindo da Alemanha. Ainda na área dos corredores, está previsto mobiliário componível para estudo e convivência, posicionados junto à grande divisória de vidro, que separa o conjunto da faixa de corredor dos elevadores.

O novo layout só foi possível com a demolição de usos já existentes no andar. Desse processo foi mantida aparente a maior parte das instalações, como ar-condicionado e sprinklers. A laje de concreto foi jateada, os dutos de ar-condicionado, restaurados e rechapeados, e as tubulações foram repintadas. A equipe de acústica também definiu parâmetros técnicos específicos para evitar ruídos vindos dos compressores. "Quando a gente fala que vai deixar o forro aparente, o cliente pensa que vai economizar em fechamento, mas é justamente o contrário. Manter aparente demanda muito mais soluções técnicas e estéticas", explica Luciano Soares. A presença dos contêineres e as soluções de revestimento reforçam a originalidade e o caráter industrial do projeto e confirmam o DNA contemporâneo da dupla de arquitetos. TECNOLOGIA Os contêineres foram montados no local com chapas de alumínio aparafusadas, sem solda, formados por piso e paredes metálicas, e teto composto por forro mineral acústico e painéis wall estruturados em peças metálicas. As paredes foram forradas com três placas de gesso acartonado prensadas por perfis metálicos, para facilitar a desmontagem, se necessário. Acima dos painéis correm as tubulações dos laboratórios, que entram nos espaços por recortes nas chapas. Dessa maneira, a acústica dentro dos centros de pesquisa foi preservada. Para viabilizar a montagem foi necessária a construção de bacias de contenção sob os contêineres, para descarte de material tóxico. Como todo o piso do andar eleva-se a 15 cm - a bacia teve de ocupar essa espessura e conter tubulações de elétrica, gás, água e esgoto, enviado diretamente a uma miniestação de tratamento montada no térreo do edifício. As manutenções necessárias são feitas na área externa perimetral das caixas metálicas.

CONTEMPORARY CLASS
Insper is an educational institution that occupies two business towers in the South District of São Paulo. The forecast for 2015 includes three new teaching specialties: chemical engineering, physics and transport phenomena. On designating the fourth, and top, floor in one of these towers for these new course studies, the institute commissioned architects Maria Inês Zemella and Luciano de Oliveira at Vernare to remodel the floor. Despite involving the specialties of different laboratories, the program would require the remodeling of a 1600m² floor space without interfering in classes and other course activities in progress. Furthermore, the effects, wall linings, furnishings and facilities of these laboratories, which faced the chance of being dismantled and transported to another location, would have to afford mobility. Thus, the class, teacher's, scale-model assembly, meeting and administrative rooms are more integrated and flexible, with the permanent character of their elements. Meanwhile, the environments designated for the laboratories of each course study are entirely closed off, to meet technical standards, and are set up inside containers. This was a bold and impacting recourse for housing high-tech laboratories, which are susceptible to dismantling. In syntony with the impact of these containers on the floor, the environments gained color and texture. The wall linings are interdependent, each space with its own lining, plus the raised floor with wall-to-wall, vinyl floor covering. In the four class rooms and the product development laboratory, or the FabLab, the acoustics project defined acoustic tiles fixed on recycled wood. In the three reversible rooms - which, all together, may be transformed into one large auditorium - the organically-perforated wooden lining breaks up the orthogonality of these spaces.



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