Edifício São Francisco, em Assunção, Paraguai, de José Cubilla & Associados | aU - Arquitetura e Urbanismo

aU Educação

Aulas de projeto

Edifício São Francisco, em Assunção, Paraguai, de José Cubilla & Associados

Edição 247 - Outubro/2014

IMPLANTAÇÃO
O edifício de cinco pavimentos mais cobertura e piscina foi construído em uma rua residencial ocupada por casas grandes com pátios e muita arborização. Para não se destacar demais na paisagem, os arquitetos apostaram em um projeto que fizesse uma releitura dos materiais já encontrados nas construções do entorno - caso da grelha-brise que protege a fachada principal, inteiramente construída com alvenaria de tijolos cerâmicos maciços.

TECNOLOGIAS CONSTRUTIVAS
Subestruturas de pisos de concreto armado:
lajes maciças sobre vigas, com vigas aparentes e lajes revestidas
Piscina de concreto armado: paredes e piso de concreto armado aparente, revestimento interno em azulejo cerâmico
Sustentação vertical: pilares de concreto armado
Vedações: paredes de alvenaria cerâmica maciça, sejam aparentes ou revestidas
Empena: alvenaria de cerâmica maciça aparente.

A EMPENA VAZADA
A empena vazada configura-se por fiadas modulares de quatro blocos com juntas tomadas, ou seja, são preenchidas de argamassa, com abertura central no conjunto.

As juntas de cada fiada modular, de quatro blocos, assentam-se em juntas a prumo. Desta forma são utilizadas barras de aço a cada três fiadas de módulos formados pelos quatro blocos, com a finalidade de amarração, enrijecimento e absorção de esforços de tração.

A empena vazada se apoia a cada pavimento com chapas metálicas de perfil "L" (30 cm x 10 cm e espessura de 10 mm) chumbadas nas vigas de borda a cada 50 cm com brocas expansivas de diâmetro de 1,25 mm e 10 cm de comprimento - portanto, a primeira fiada de cada pavimento tem o assentamento sobre a aba do perfil "L".

LIGAÇÃO CONCRETO ARMADO E AÇO
Após a cura e obtenção de resistência adequada do concreto das vigas de borda, as chapas de aço são fixadas com perfuração e fixação com brocas de aço e expansores, espaçadas a cada 50 cm ao longo de toda elevação das vigas. Como se trata de um contato e de uma ligação por justaposição entre faces de diferentes materiais, foi realizado o preenchimento de todo alinhamento desta ligação com epóxi, gerando impermeabilidade e com critérios de inclinação para que as águas possam ser drenadas e não gerarem patologias (como a corrosão do aço e a desagregação do concreto).

CONFORMAÇÃO TECNOLÓGICA DOS MURO DE CONTENÇÃO
De forma a conter os esforços horizontais de empuxo da construção vizinha, adotou-se um muro de contenção composto por uma base alargada em todo seu comprimento, ou seja, uma contenção em muro de pedras de mão.

Como em camadas sobrepostas, sobre a face inclinada desta base alargada, utilizou-se seguimentos de 1,50 m como contrafortes de pedra e, para que a superfície ficasse na conformação circular, foram realizados alternadamente preenchimentos de pedras, com a mesma largura de 1,50 m. Com a superfície em curva regularizada, assentaram-se as placas cerâmicas.

A FÔRMA DE MADEIRA COMPENSADA PARA MOLDAGEM DOS CONTRAFORTES
Para a definição contínua da superfície curva, foi utilizada uma fôrma de madeira compensada com as medidas apresentadas no detalhe. Com o uso das fôrmas que delimitam as faces dos contrafortes (formação de faixas), pode-se completar o preenchimento de pedras e delimitação da superfície curva para então receber o revestimento de placas cerâmicas.

SISTEMA DE REÚSO DE ÁGUA
A água de chuva é recolhida e armazenada em uma cisterna, com reservatório 6,3 mil litros no nível inferior, e bombeamento que alimenta um reservatório superior destinado somente ao abastecimento das caixas acopladas das bacias sanitárias. O sistema conta com "by pass" de abastecimento da cisterna pelo sistema público de abastecimento no caso do período de seca. Nota-se que o reservatório de água própria para consumo é de 3,5 mil litros - cerca de 55% da cisterna, um dado importante e referencial no que concerne ao abastecimento público e de oportunidade de uso de águas pluviais para fins de não consumo humano direto.

CONFORMAÇÃO TECNOLÓGICA DOS PISOS FLUTUANTES
O edifício utiliza a tecnologia de pisos flutuantes para melhorar o desempenho e garantir melhor conforto acústico e térmico. O piso flutuante também é um subsistema de fechamento e de proteção horizontal e possui características construtivas artesanais e simples, com grandes benefícios às instalações e ao conforto do edifício. Também permite manutenções corretivas, preventivas e rotineiras de instalações hidráulicas, elétricas, ar-condicionado sem exigir quebra de lajes, e delimita as águas pluviais por calhas.

VARANDA COM CHURRASQUEIRA
Para facilitar a manutenção nas áreas de conexões e em pontos de maiores entupimentos, as tubulações foram deixadas aparentes. Depois do ponto de coleta, as águas são conduzidas a uma prumada vertical.

Percebe-se que há uma identificação da forma dos mobiliários e dos complementos construtivos, que são desvinculados de embutimento nas alvenarias - ao contrário, são sempre sobreposições e encaixes, como nas instalações hidráulicas da pia e do balcão de apoio da varanda, onde está a churrasqueira, tão importante na cultura paraguaia. Percebe-se, ainda, uma aderência da forma tubular do guarda-corpo com as tubulações hidráulicas estrategicamente posicionadas.

MOBILIÁRIO MESA ATIRANTADA
A mesa é composta por pranchões de madeira lapacho, uma espécie de árvore que cresce normalmente no alto dos Andes da floresta tropical sul-americana. É apoiada por um cabo de 3 mm de diâmetro para estabilização ou contraventamento que, por sua vez, se amarra na laje com uma chapa dobrada em "U", de 6,5 mm de espessura. Uma cantoneira de aço forma o quadro de apoio para a barra de aço de 100 x 60 polegadas, fixada sob a mesa.

MOBILIÁRIO COMPONENTES DA ÁREA DA LAREIRA
Os arquitetos também projetaram alguns elementos de interiores, caso da lareira. Aqui, reaparecem os materiais da construção: gavetas de madeira, estantes de madeira e cabos de aço, espaço para armazenar lenhas, campânula de chapa de aço pintada, tijolos refratários, bancada constituída de blocos assentados em espelho e tronco de madeira.

SASQUIA HIZURO OBATA é engenheira civil pela Faap, com mestrado em engenharia civil pela USP e doutorado em arquitetura e urbanismo pela Universidade Mackenzie. É professora do curso de arquitetura e urbanismo na Faap e na Fatec Tatuapé-Victor Civita. É coordenadora de Projeto de Gestão Aberta para Inovação do Inova Paula Souza; e coordena o curso lato sensu em construções sustentáveis na Faap


Download Exclusivo para Professores Download exclusivo para professores.
Faça o download do conteúdo exclusivo.



Destaques da Loja Pini
Aplicativos