Em Assunção, Paraguai, Estudio Elgue recicla materiais na construção de seu escritório, em projeto econômico e repleto de invenções | aU - Arquitetura e Urbanismo

Edifícios

Estúdio Elgue e Associados . Assunção, Paraguai

Em Assunção, Paraguai, Estudio Elgue recicla materiais na construção de seu escritório, em projeto econômico e repleto de invenções

Por: Marcos de Sousa Fotos: Lauro Rocha
Edição 247 - Outubro/2014

Um olhar menos atento não consegue ver a curiosa construção que ocupa o terreno arborizado, próximo à nova área de expansão da capital paraguaia. trata-se do Boceto Estúdio (em português, Esboço Estúdio) do arquiteto e professor Luis Elgue. A obra, inteiramente térrea, reúne espaço de trabalho e um pequeno apartamento para visitantes e colaboradores.

O terreno, explica Elgue, era ocupado por uma velha casa que há vários anos aguardava ser alugada, sem sucesso. Procurando um local para seu novo estúdio, o arquiteto conseguiu negociar uma locação que permitisse a demolição da casa para a construção de novo imóvel, com a opção de compra após o final do contrato. na ponta do lápis, Luís prova que o custo de locação + obras resultou mais econômico do que o aluguel de qualquer outro imóvel na região.

Para obter a desejada redução de custos, Elgue planejou e realizou uma obra que aproveitasse ao máximo os materiais da antiga construção (tijolos e telhas), eliminando componentes mais custosos, como caixilhos, luminárias e revestimentos industrializados.

Face ao excesso de luz e calor que caracterizam o clima de Assunção - no verão as temperaturas passam dos 40 graus - o projeto incluiu uma pele externa, construída com alvenaria de tijolos nus, que protege os espaços de trabalho contra o sol e a intrusão de desconhecidos. essa parede externa foi dotada de pequenas aberturas vazadas na alvenaria de tijolos. chamadas de "poros" pela capacidade de permitir as trocas de ar, essas válvulas são constituídas por simples blocos cerâmicos vazados (o nosso tijolo baiano), montados com uma leve inclinação para evitar a entrada de chuva.

Apenas um desses respiros foi montado horizontalmente, na frente da edificação, para permitir a observação de quem chega ao portão de entrada do amplo lote. É uma vigia, explica a arquiteta Cecilia Román, assistente de Elgue. Nos dias mais frios de inverno, as aberturas são vedadas por placas de vidro reciclado. No calor do verão, esses poros são abertos por um mecanismo de cabos de aço, que levantam os vedos de vidro.

Nas laterais, junto aos condutos de águas pluviais, o arquiteto instalou outras aberturas, poros horizontais fechados com placas de vidro, que proporcionam a entrada controlada da iluminação natural. Abaixo desses lanternins, painéis de madeira pintados de branco refletem a luz ao teto branco e daí até os pontos de trabalho. Durante a estação fria, quando visitamos a obra, a iluminação parece discreta, no limite do suficiente. "Mas a luz de Assunção é muito agressiva no verão e precisamos controlá-la", justifica Luis Elgue.

Pelo mesmo motivo, as duas únicas janelas do estúdio são voltadas para o corredor externo, protegido pelo muro vazado. Em vez de caixilhos metálicos ou de madeira, os arquitetos desenvolveram uma solução simples, com uma placa de vidro temperado e um painel de madeira. Pivotantes no sentido vertical, as duas peças permitem o controle eficiente da entrada de ar.

Internamente, o acabamento é também franciscano, com pintura branca, piso de cimento queimado e luminárias improvisadas com simples soquetes habilmente posicionados na composição dos ambientes.

As portas de perfis de aço, madeira e painéis de vidro temperado também foram construídas na obra com material de reciclagem, explica o arquiteto. "Compramos um lote de madeiras, peças metálicas e vidros usados e esse foi o principal fornecedor da obra." Na verdade, o almoxarifado central do canteiro de obras nasceu dos tijolos reciclados de parte da construção demolida, que fazem as principais fachadas externas do estúdio.

A construção é bruta, dura ao primeiro olhar, mas ganha encantos com as sucessivas mudanças de luz e sombras durante o dia. À noite, alguns simples spots de luz instalados externamente destacam a volumetria e reiteram as imperfeições da alvenaria de tijolos.

O pátio externo é sombreado pelas árvores existentes, sob as quais os arquitetos improvisaram bancos para o descanso e o desfrute coletivo de um tererê, o mate frio, hábito nacional desde os tempos em que os guaranis dominavam a região. Para completar a área de lazer, uma inevitável instalação para a parrilla (churrasqueira), ponto de encontro nos momentos de descanso e lazer.

THE HERMETIC ELEGANCE OF DESIGN
A less attentive look would overlook the curious construction occupying the leafy grounds, close to new expanding area of the Paraguayan capital. That would be the BocetoEstúdio (in English, Design Studio) of architect and Professor Luis Elgue. The single-story construction joins the work space to a small apartment for visitors and co-workers. An old house, which had stood empty several years waiting to be rented, to no avail, formerly occupied the grounds. In seeking a venue for his new studio, the architect negotiated a lease that allowed the house to be demolished for the new property to be built, with a buyer's option at the end of the agreement. In order to obtain a desired cost reduction, Elgue planned and designed a project that would make maximum use of materials (bricks and roofing material) from the former construction. Due to the excess light and heat that characterizes the climate in Assunção, the project included an outer skin, built with raw brick masonry, which protects the work spaces and was provided with small openings - basic hollow, ceramic blocks set with a slight inclination to keep the rain from getting in. Only one of these vents was set horizontally, so as to allow anyone arriving at the entry gate to be observed. On colder days, the openings are shielded by plates of recycled glass and, in the heat of summer, are opened by a steel-cable mechanism, which raises the glass shielding. The only two windows gracing the studio face the outdoor passageway, protected by the hollow wall. The construction is rudimentary and rough at first sight, but gains charm with the successive changing light and shadows throughout the day.



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