Hospital na pequena cidade de Puyo, Equador, foi construído em um ano com sistema desenvolvido pelos arquitetos espanhóis do PMMT | aU - Arquitetura e Urbanismo

Edifícios

PMMT . Puyo, Equador . 2012/2013

Hospital na pequena cidade de Puyo, Equador, foi construído em um ano com sistema desenvolvido pelos arquitetos espanhóis do PMMT

Por: Ursula Troncoso Fotos: Sebastián Crespo
Edição 247 - Outubro/2014

É possível desenhar, construir e equipar um hospital em um ano? Foi com essa pergunta em mente que os sócios, Patricio Martínez e Maximià Torruella, do escritório de arquitetura de Barcelona PMMT, juntaram-se à construtora espanhola Makiber para desenvolver uma pesquisa sobre a possibilidade da parametrização de um hospital. O que eles chamaram de parametrização hospitalar é o processo de "análise profunda da métrica e dos parâmetros que definem os equipamentos sanitários de grande complexidade." Ou seja, não se trata da implementação de um sistema de pré-fabricação ou construção modular, mas de um processo intelectual que permite saber o que nos hospitais é genérico - e necessário em todos eles -, e o que deve ser considerado para permitir as particularidades de cada projeto. "O desenho paramétrico pode ser comparado ao jogo de xadrez", relatam os arquitetos, "com um tabuleiro, seis peças diferentes e uma série de regras que definem de maneira estrita a possibilidade de combinação entre elas."

Com o mercado espanhol desaquecido, a indústria da construção está dando foco às estratégias para construção em países em desenvolvimento, incluindo os países da África e América Latina, onde ainda há muito campo para esta área. O que estes países têm em comum é uma rede de infraestruturas muito precária, entre elas a rede hospitalar. Visitando alguns deles, os arquitetos perceberam que, "na maioria das ocasiões, as pequenas cidades não dispõem de um centro hospitalar, e também não têm um a uma distância razoável". O escritório, assim como a construtora que atua no ramo de edificações de saúde, viu nessa situação uma oportunidade.

A partir dessa parceria com a Makiber, chegou aos arquitetos o encargo de um hospital em Puyo, no Equador. Esta pequena comunidade, que fica colada à Amazônia equatoriana, precisava de uma construção hospitalar de 14 mil m² em caráter de emergência. O governo firmou o contrato com a construtora, que acionou os arquitetos. Era a chance que queriam para colocar à prova suas pesquisas: precisavam inaugurar um hospital em um ano.

Com a experiência em projetos de hospitais, os arquitetos sabiam que precisavam basicamente de alas para atender diferentes especialidades e de circulação com controle de acesso, também consideravam a iluminação e ventilação natural de todos os espaços. Foi então desenvolvido um esquema, com regras para a localização dos corredores, dos acessos, instalações e modulação das fachadas. O hospital paramétrico é basicamente composto de galpões - seu número e tamanho podem variar -, dispostos em três fileiras intercaladas por dois corredores, um de acesso restrito, outro de acesso público. Os galpões são dispostos defasados um em relação ao outro para permitir a criação de um pátio central entre eles, este pátio ventila e ilumina todos os ambientes. Os acessos são localizados de forma que o acesso principal faça conexão direta com o corredor público e que os acessos de emergência e técnico fiquem próximos ao corredor restrito.

Os galpões têm seu programa distribuído segundo a metragem quadrada necessária para as atividades: se as salas precisam ser maiores, desenha-se um corredor lateral, se o tamanho da atividade permite salas menores, então é criado um corredor central no galpão e o programa ocupa as laterais. Para abrigar as diversas instalações de um hospital, os arquitetos esquematizaram uma cobertura mais alta sobre o forro dos corredores. Coberturas maiores são também utilizadas para demarcar os acessos. Esta disposição permite a ampliação linear do hospital sem perder sua funcionalidade e qualidade de espaço. Desta forma, a construção começa antes de terminar o projeto, já que "estas regras permitem o início dos primeiros trabalhos na obra somente com um plano funcional genérico", pois "tudo aquilo que será detalhado no plano funcional pormenorizado pode se encaixar no desenho geral", concluem os arquitetos.

A construção atual possui 21 pavilhões com estrutura de pórticos metálicos. As peças são enviadas para a obra já cortadas e "são montadas mecanicamente, evitando solda e possíveis pontos de oxidação", explica Alex Herraez, arquiteto da equipe de projeto. A cobertura e a fachada são conformadas por painéis sanduíche do tipo miniwave, com o intuito de proteger ao máximo a edificação das chuvas frequentes na região. A obra, que não podia parar, sofreu com essa condição. "A fase da execução dos movimentos de terra e da fundação foi especialmente dura, e levou as condições de trabalho à situações limite", contam os arquitetos.

Obviamente, não podíamos deixar de conversar a respeito do arquiteto brasileiro João Filgueiras Lima, o Lelé, que desenvolveu uma profunda pesquisa na área da construção hospitalar e, com suas construções, nos deu aulas de como ventilar e utilizar as características do meio para refrescar e iluminar naturalmente os espaços. "Sua obra é importante para nós e para a maneira como entendemos arquitetura sanitária", dizem os sócios. "O hospital de Taguatinga, o hospital Sarah Kubitschek, em Brasília, e os estudos de hospitais em rede são referências." Algo que chama atenção também na arquitetura de Lelé é a busca estética, e a transformação dos espaços em lugares de significado. Os arquitetos do PMMT seguem por outro caminho, "a edificação utiliza as frentes dos pavilhões para configurar as fachadas principais, sem mais recursos formais que aqueles condicionados pelos requerimentos funcionais", explicam.

O hospital de Puyo foi entregue no prazo previsto, e, apesar de entendermos a economia de tempo - um hospital deste porte costuma demorar três vezes mais para ser construído -, os custos por metro quadrado não foram divulgados e não pudemos comparar a economia em investimentos. Premiados pela 9a Bienal de Arquitetura Iberoamericana (9ª Biau), de 2014, os arquitetos já estão estudando novas possibilidades de implantação em Angola e na Guiné.

CHESSGAME
Is it possible to design, build and equip a hospital in one year? This was the question that Patricio Martínez and Maximià Torruella, from the Barcelona PMMT architectural firm, had in mind on sitting down with Makiber, the Spanish construction company, to develop a study about parameterizing a hospital." "Parametric design can be compared to a game of chess," report the architects, "with a board, six different pieces and a series of rules that strictly define the possibility of a combination between them." After forming the partnership with Makiber, the architects encountered a job for a hospital in Puyo, Ecuador. This small community, which lies in the Ecuadorian Amazon, urgently needed a 14,000 m² hospital construction: they needed to inaugurate the hospital within one year. The parametric hospital is basically composed of sheds - their number and size can vary -, laid out in three rows intersected by two corridors, one for restricted access and the other for public access. The sheds are shifted, in relation to each other, into a layout that allows a central courtyard to be created between them,this courtyard ventilates and illuminates all of the environments. The accesses are located in a way where the main access is directly connected to the public corridor and where the emergency and technical accesses are set next to the restricted corridor. The final construction contains 21 pavilions with steel-frame structures.

 



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