Edifício Copan, de Oscar Niemeyer | aU - Arquitetura e Urbanismo

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História em detalhe

Edifício Copan, de Oscar Niemeyer

Por Carolina Silva Oukawa
Edição 245 - Agosto/2014

EDIFÍCIO COPAN: TRANSIÇÃO ESTRUTURAL DÁ LIBERDADE À IMPLANTAÇÃO

O Edifício Copan é um dos principais ícones da paisagem urbana de São Paulo. A partir do programa solicitado e da localização central do terreno, e sob os preceitos da arquitetura moderna, Oscar Niemeyer parece ter projetado o Copan para ser o próprio edifício-cidade.

A lâmina esbelta em forma de S que abriga 1.160 unidades habitacionais é feita da justaposição de seis blocos que funcionam como edifícios autônomos (embora, do ponto de vista estrutural, configurem-se somente quatro corpos). Sob ela, o embasamento ocupa toda a projeção do lote de geometria irregular e abriga uma galeria que funciona como extensão da rua, com funções de comércio e serviço.

Enquanto a lâmina é leve e transparente, os pavimentos da base (dois subsolos, térreo, sobreloja, foyer e terraço) escondem-se em um volume maciço. No térreo, o piso inclinado da galeria acompanha o perfil natural do terreno. A laje do teto é paralela ao piso, o que atenua a percepção do desnível. Os pavimentos superiores é que irão, aos poucos, dissolver essa inclinação e configurar a laje horizontal do andar-tipo, que é repetido 32 vezes.

A estrutura dos brises das fachadas maiores é independente e liga-se à estrutura principal apenas pontualmente. Já no interior dos apartamentos, os pilares acabaram sendo posicionados à revelia da recomendação de Niemeyer, de que houvesse independência entre vedos e estrutura. Com isso, acabou-se formando um paliteiro, com vãos variáveis e relativamente pequenos.

Para que essa distribuição compartimentada não chegasse ao térreo, inviabilizando a galeria, foi pensado um pavimento de transição, apoiado na cobertura da base. Visto pelo lado de fora, ele constitui um trapézio extrudado horizontalmente sob toda a extensão da lâmina. O interior do volume possui pé-direito transitável e é ocupado por vigas no sentido transversal, com altura de piso a teto.

Com essa estrutura de transição, a carga dos pilares delgados da lâmina e da estrutura dos brises pôde ser recebida, filtrada e concentrada nas duas fileiras paralelas de colunas do pilotis da galeria, que revelam a presença do "S" no embasamento.

No caminho inverso, pode-se afirmar que todo o embasamento, na projeção total do lote, atua como uma passagem gradual da topografia da rua, em desnível, para a laje horizontal do pavimento-tipo, que por sua vez é desvinculada dos limites do terreno. A lâmina curva, conectada e ao mesmo tempo solta da base pela estrutura de transição, conforma um espaço de fato, desenhando o céu na porção do ar que a envolve, pois a curva impede que se aproximem dela outros volumes construídos, sem hostilizá-los.

Com a arquitetura livre, do limite feito de espaço, Oscar Niemeyer conectou-se à realidade que pretendeu transformar. O Edifício Copan parece sugerir a dissolução do lote, no Centro da cidade consolidada sob os princípios do loteamento.

CAROLINA SILVA OUKAWA é arquiteta e urbanista, com graduação (2004) e mestrado (2010) pela FAUUSP. Autora da dissertação Edifício Copan: uma análise arquitetônica com inspiração na disciplina análise musical. Atua como arquiteta e é professora de projeto arquitetônico e desenho na Universidade Paulista (Unip)


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