Reinach Mendonça reforma residência moderna para convertê-la em Instituto de Pesquisas, em São Paulo | aU - Arquitetura e Urbanismo

Edifícios

Reinach Mendonça . São Paulo, SP . 2012/2013

Reinach Mendonça reforma residência moderna para convertê-la em Instituto de Pesquisas, em São Paulo

Por Rafael Urano Frajndlich Fotos Leonardo Finotti
Edição 244 - Julho/2014

A casa cercada de marquises, espelhos d'água e muros vermelhos parece uma construção do zero, mas é uma reforma: o projeto de Reinach Mendonça fez questão de estabelecer um diálogo tão estreito com a casa existente que é possível confundir as épocas. Da casa de um só dono, os arquitetos transformaram em um espaço de debates e instituição de pesquisa.

A residência original, assinada por Carlos Lemos, era um monolito compacto no final do terreno, com planta pavilionar e estrutura moderna, solta das fachadas. O lote pouco ocupado tinha o jardim como atração para os visitantes. Alterar essa situação, 60 anos depois do projeto original, exigiu dos arquitetos sensibilidade e pesquisa da história da construção.

"O cliente, 60 anos atrás, queria uma casa de Niemeyer", explica Maurício Mendonça, titular do escritório responsável pela reforma. "Niemeyer aceitou a encomenda, mas passou para o coordenador de seu escritório em São Paulo, Carlos Lemos, que foi quem de fato fez e assinou o projeto". Lemos é um arquiteto modernista, professor aposentado da FAUUSP e responsável, por exemplo, pelo desenvolvimento do Edifício Copan no Centro paulistano.

A casa que desenhou para esse terreno, nos anos de 1950, tinha uma planta na qual dois braços se projetavam em direção ao jardim: um com a sala de estar, e outro com a cozinha. Os acabamentos diferiam: a pintura da sala contrastava com as pedras que revestiam os tijolos na área molhável. Os dois programas, no entanto, eram unidos por uma só cobertura feita em laje de concreto armado e com apenas uma inclinação bem marcada.

Entre elas, um pavilhão de pé-direito duplo resolvia a escada aos dormitórios, e consolidava a planta como um "C". Acessava-se primeiro a sala da casa, por uma garagem lateral e então, após passar pelos espaços de estar, alcançava-se o jardim, aos fundos.

A primeira decisão de projeto de Reinach Mendonça foi inverter esse acesso, colocando o verde na entrada, o que norteou todas as outras decisões. Acessando-se pela rua lateral, tem-se uma vista em largo da casa, com sua volumetria legível de longe. Essa escolha obrigaria, no entanto, um percurso considerável até a entrada da casa. Daí surgiram as marquises em concreto armado e estrutura metálica, que fazem um passeio coberto. Esses elementos arquitetônicos resolvem não só a parte prática da chuva e do sol, mas também alteram o equilíbrio da planta da casa para o centro do "C", que se torna um hall de entrada.

Junto das marquises, estão os novos muros de concreto pigmentado vermelho. São dois instrumentos de intervenção que redesenham o lote: os muros delimitam sutilmente o acesso para veículos, enquanto às coberturas em concreto, resolvidas em uma sofisticada estrutura de pilares e tirantes, cabe criar alpendres de apoio às áreas internas do instituto. Além da marquise de acesso, é igualmente importante a cobertura de alpendre instalada na antiga frente da residência, que se tornou um suporte para os intervalos de eventos do instituto. Feita com o mesmo sistema de tirantes e pilares, a intenção dos arquitetos foi de que a construção não tocasse na residência, o que requereu uma delicada execução e deixa apenas uma fresta de ar entre o concreto formado e as paredes originais.

O pavilhão de pé-direito duplo tornou-se o acesso. A escada foi completamente mantida, mas a sua linguagem, moderna, com os degraus soltos da estrutura, parece tão atual quanto as decisões de detalhamento contemporâneo. O térreo foi alterado sem onerar a estrutura, com seus pilares cilíndricos soltos dos vedos. Na ala da sala, foi deixada apenas uma parede, que separa estações de trabalho de um pequeno auditório para conferências e encontros.

Nesta parte, o pé-direito pequeno da casa foi um desafio. Enterrouse o palco do auditório para dar melhor visibilidade. Apesar de pequena, a sala tem tecnologia de transmissão de ponta e um sistema de lousas deslizantes à maneira das universidades norte-americanas.


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