Câmara dos Deputados no Congresso Nacional, de Oscar Niemeyer | aU - Arquitetura e Urbanismo

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Câmara dos Deputados no Congresso Nacional, de Oscar Niemeyer

Por Leonardo da Silveira Pirillo Inojosa
Edição 241 - Abril/2014

SISTEMA ESTRUTURAL DEFINE A ARQUITETURA DA CÂMARA DOS DEPUTADOS

A cúpula invertida da Câmara dos Deputados foi mais um desafio proposto pelo arquiteto Oscar Niemeyer ao calculista Joaquim Cardozo. Conhecido como o Engenheiro da Poesia, Cardozo é responsável por uma revolução técnica na engenharia brasileira. A arquitetura da cúpula se destaca pela plasticidade escultural, projetada em um período na obra de Oscar Niemeyer cuja monumentalidade aparece na simplificação das formas e em sua relação direta com a estrutura.

No projeto do Congresso Nacional, o arquiteto criou cinco volumes: dois volumes verticais interligados por passarelas, um volume horizontal formando a base do conjunto, a cúpula do Senado, típica cúpula de cobertura que cobre um vão de 39 m e, por fim, a Cúpula da Câmara, invertida, com 62 m na cobertura e 30,70 m na base e que se apoia sobre o volume horizontal com uma leveza impressionante.

Ao vencer mais esse desafio e encontrar a forma de fazer a cúpula do Congresso funcionar, Cardozo chegou a telefonar para o arquiteto para dar a notícia: "Oscar, consegui a tangente que vai fazer a cúpula da Câmara solta como você queria!".

A estrutura da cúpula é toda de concreto armado, formada por três cascas, anéis de compressão, lajes, tirantes e pilares em uma solução estrutural complexa e sem precedentes.

A primeira casca da cúpula, limitada pela superfície de uma "zona de elipsoide de revolução, abaixo do equador" é onde está apoiada a arquibancada da galeria do plenário. Sobre essa primeira casca está a segunda, uma superfície de um tronco de cone invertido que, por apoiar-se no ponto de tangência do elipsoide da primeira casca, cria uma continuidade visual perfeita, aparentando ser um só elemento estrutural.

Exatamente na junção dos dois elementos, em um anel intermediário, apoia-se a terceira casca, uma calota esférica côncava extremamente rebaixada. Essa terceira casca suporta uma laje de forro com apenas 6 cm de espessura, e a laje superior, plana e com um vazio circular no centro, apoiada em pilares de seção quadrada 10 cm x 10 cm, a mesma seção utilizada nos tirantes que suportam a laje de forro. A estrutura de fechamento superior da Cúpula vence o expressivo vão de 62 m de diâmetro, deixando o plenário livre.

Toda a estrutura da cúpula invertida está apoiada em um grande anel de compressão - que está engastado em uma malha de vigas de sustentação, formando a ampla laje horizontal. Tal laje é sustentada por um conjunto de pilares e por paredes de concreto que estão logo abaixo da cúpula da Câmara dos Deputados, e que fazem o fechamento do plenário. As vigas de sustentação da laje do volume horizontal chegam a 2 m de altura e são aproveitadas para formar as galerias de imprensa do plenário e os corredores que interligam a Câmara ao Senado.

O sistema estrutural define e caracteriza a arquitetura, marcando a criatividade e a interação entre arquiteto e engenheiro.

DADOS DA OBRA

NOME Palácio Nereu Ramos (Congresso Nacional)
DATA DO PROJETO 1958
INAUGURAÇÃO 1960
ARQUITETO Oscar Niemeyer
CÁLCULO ESTRUTURAL Joaquim Cardozo

POR LEONARDO DA SILVEIRA PIRILLO INOJOSA

LEONARDO INOJOSA é arquiteto e urbanista formado pela FAUUSP (2003) e mestre em arquitetura e urbanismo pela Universidade de Brasília (2010), autor da dissertação O sistema estrutural na obra de Oscar Niemeyer. Atua como arquiteto em Brasília e é professor de projeto arquitetônico e sistemas estruturais na Universidade Paulista (Unip) e no Instituto de Ensino Superior Planalto (Iesplan)


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