Edifício Esther, em São Paulo, de Álvaro Vital Brazil e Adhemar Marinho | aU - Arquitetura e Urbanismo

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História em detalhe

Edifício Esther, em São Paulo, de Álvaro Vital Brazil e Adhemar Marinho

Por Alberto Xavier
Edição 236 - Novembro/2013
Reproduzido de Brazil Builds (1943)

EDIFÍCIO ESTHER: PIONEIRISMO TÉCNICO-FORMAL NOS ANOS DE 1930

Concebido em 1935 - no ano anterior à segunda visita de Le Corbusier ao Brasil - e inaugurado em 1938, o edifício Esther surgiu em um período em que as realizações da arquitetura moderna eram em número reduzido em São Paulo e se localizavam em áreas distantes do chamado Centro Novo.

Enquanto o meio paulistano ainda não assimilara a modernidade, com as atividades de projeto confiadas a empresas de engenharia voltadas para a imitação de estilos do passado, no Rio de Janeiro já se achava constituído um grupo cujo ideário se baseava na doutrina funcionalista. Dele fazia parte o arquiteto Álvaro Vital Brazil, autor, com apenas 26 anos, desta obra de grande impacto. Concebida em parceria com Adhemar Marinho para um terreno de três frentes, a principal voltada para a praça da República, foi pioneira sob vários aspectos, utilizados de forma surpreendentemente madura: a estrutura independente, a planta livre, o terraço-jardim, a janela em extensão.

CORTE DO PISO
As vigas são invertidas e o espaço por elas delimitado, pree nchido com escória de carvão, possibilitando a rede hidráulica correr livremente no seu interior. Aqui, desenho de Eduardo Colonelli, feito especialmente para AU, mostra detalhe da laje-tipo

Em lugar da ocupação integral do terreno, criando áreas internas, como era então corrente, seu partido compacto (um bloco de 20 m x 40 m) dava a oportunidade a outro edifício mais estreito, aos fundos e a uma nova rua, sob a qual se prolongava a garagem. Seu programa era bastante peculiar: associava a função residencial, já presente nas cercanias da praça da República, às atividades de serviço e comércio, até poucos anos antes limitadas ao chamado Centro Velho. Previa lojas nas quatro faces do pavimento térreo, escritórios nos três primeiros andares e unidades habitacionais de diversos tipos do 4º ao 10º andares - os dois últimos com apartamentos pela primeira vez dúplex -, além de cobertura, denominada, então, de penthouse.

Suas características construtivas eram também originais: tratava-se do primeiro prédio de grande porte construído em São Paulo com estrutura independente, onde lajes contínuas permitiam a flexibilidade da planta. Nos distintos pavimentos, as vigas eram invertidas e o espaço por elas delimitado, preenchido com escória de carvão, possibilitando a rede hidráulica correr livremente no seu interior. No terraço utilizou-se terra adubada, argila branca, feltro de amianto e impermeabilização.

Constituem também novidade os recursos plástico-formais: as fachadas emolduradas em vidrolite preto (posteriormente removido) marcando claramente a estrutura, a variedade de planos dinâmicos em massa raspada amarelo-palha, os volumes envidraçados salientes das escadas laterais e as janelas em extensão, com persianas justapostas em faixas contínuas. O resultado foi uma inédita unidade no tratamento formal mesmo com a diversidade do programa.

Reproduzido de Brazil Builds (1943) Foto: Leonardo Finotti
O partido compacto do Edifício Esther, um bloco de 20 m x 40 m, deu a oportunidade para a construção de outro edifício mais estreito, aos fundos, e a uma nova rua, sob a qual se prolongava a garagem. Na s duas fotos acima é possível perceber a presença do edifício no entorno - na época, com uma presença mais forte e impactante na praça, onde se sobressaía solitário, e hoje em meio ao entorno adensado
Reproduzido de Edifício Esther de Fernando Atique Reproduzido de Edifício Esther de Fernando Atique
Imagem da execução das lajes com vigamento invertido em todos os pavimentos: o Esther foi o primeiro prédio de grande porte construído em São Pa ulo com estrutura independente, onde lajes contínuas permitiam a flexibilidade da planta O projeto previa lojas no térreo, escritórios nos três primeiros andares e unidades habitacionais do 4º ao 10º andar, com alguns apartamentos dúplex, pela primeira vez. A cobertura tem um terraço recuado, no qual utilizou-se terra adubada, argila branca, feltro de amianto e impermea bilização

DADOS DA OBRA

DATA DO PROJETO 1936
DATA DE CONCLUSÃO DA OBRA 1938
ÁREA DO TERRENOS 2,1 mil M²
ÁREA CONSTRUÍDA 10 mil M²

FICHA TÉCNICA

ARQUITETURA Álvaro Vital Brazil e Adhemar Marinho

ALBERTO XAVIER, arquiteto e professor no Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Autor, entre outros títulos, de Arquitetura moderna paulistana (1982) e organizador de Depoimento de uma geração (1987 e 2003) e Brasília: antologia crítica (2012)


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