Tacoa Arquitetos Associados reformulam a tradicional vila paulistana no conjunto Vila Aspicuelta, em São Paulo | aU - Arquitetura e Urbanismo

Residencial

Tacoa Arquitetos Associados . São Paulo, SP . 2010

Tacoa Arquitetos Associados reformulam a tradicional vila paulistana no conjunto Vila Aspicuelta, em São Paulo

Por Mariana Siqueira Fotos Leonardo Finotti
Edição 235 - Outubro/2013

Arquitetos reformulam a noção tradicional de vila paulistana com um projeto estrutural que ajusta o bloco quase a flutuar às exigências da legislação

A Vila Aspicuelta, recém-construída no bairro Vila Madalena, em São Paulo, pouco tem a ver, formalmente, com outras vilas que se espalham pela cidade. Enquanto as tradicionais são formadas por casinhas geminadas de diferentes estilos, caráter e cores, esta prima por uma rigorosa ordem arquitetônica. Do ponto de vista legal, no entanto, elas são idênticas, já que respondem aos mesmos princípios e regras: uma vila é um conjunto de habitações independentes, cujo acesso se dá por uma via particular articulada, em um único ponto, com uma via oficial de circulação existente. O gabarito máximo não deve exceder 9 m (podendo ser ainda mais baixo, dependendo da zona de uso onde se localize o conjunto residencial) e em seu interior devem estar previstas vagas para estacionamento de veículos.

A primeira decisão de projeto para a Vila Aspicuelta foi a de não escavar o subsolo para o estacionamento, tanto para não interferir no lençol freático quanto para evitar os custos adicionais que isso representaria. Foi necessário, então, suspender o edifício e livrar o térreo para a circulação de automóveis. "Queríamos criar a sensação de uma pedra que flutuasse baixinho, sem que você pudesse entender muito bem como", conta o arquiteto Rodrigo Cerviño Lopez que, ao lado de Fernando Falcon, forma o Tacoa Arquitetos Associados, escritório chamado pela empreendedora Aphins para o desenho arquitetônico - este empreendimento, aliás, inaugura a atuação da Aphins no ramo de projetos residenciais de boa arquitetura.

Uma das hipóteses de projeto, então, foi a de sustentar todo o volume do edifício no centro do terreno com potentes vigas transversais que se apoiam nos dois muros longitudinais. "Mas fomos descobrindo aos poucos as nuances da legislação de vila", relembra Miguel Vendrasco, da Aphins. Uma delas é o fato de que a vila deve contar com uma faixa de circulação de pedestres de 3 m de largura, contínua e descoberta. Sobre ela, nem mesmo o pergolado formado pelo conjunto de vigas de um dos lados do volume poderia pairar. Por isso, foi necessário fazer com que um lado do edifício pousasse no térreo, liberando a obrigatória circulação de pedestres na forma de um generoso recuo lateral.

Se de um lado as vigas se apoiam em pilares embutidos no muro lateral, do outro elas encontram arcos estruturais, formados pela junção de segmentos inclinados que, de quebra, funcionam como guarda-corpos das escadas de acesso às unidades. As vigas também definem os limites entre os apartamentos e, pela forma pouco usual, junto ao muro, mantêm intacta a intenção inicial de fazer com que o volume pareça flutuar misteriosamente.

Passada a porta de acesso a cada casa, instaura-se o mundo particular. No primeiro andar encontramos sala e cozinha conjugadas e, no segundo, suíte, uma pequena área de trabalho e uma diminuta lavanderia. A caixa de circulação vertical tem um caráter "externo", dado pelo intenso uso do vidro e pelo aspecto bruto do concreto aparente, fazendo um contraponto ao intimismo dos ambientes internos. Na cobertura estão os jardins, em porções correspondentes a cada um dos apartamentos.

Um cálculo rígido de pé-direito foi feito para cada um dos pisos - o do térreo foi reduzido a seu valor mínimo, 2,30 m, para garantir que, na cobertura, ainda sobrassem 0,80 m para preencher de terra, de maneira que os moradores pudessem fazer o paisagismo que lhes pareça mais interessante, plantando, inclusive, árvores de menor porte; e respeitando a legislação de máxima altura para as casas de vila.

Se os jardins não primam pela privacidade - qualidade que pode ser alcançada com outras estratégias pelos moradores, se desejado - oferecem uma oportunidade rara para um quintal: vista. Por todos os lados, a Vila Aspicuelta oferece visadas sobre um dos bairros mais emblemáticos da cidade, revelando ser uma verdadeira vila paulistana - em sua concepção mais literal, e menos convencional.

BEARING POINTS
Vila Aspicuelta, recently-built amidst the Vila Madalena borough, in São Paulo, has little to do, formally, with other villas about the city. While traditional villas are formed by little town houses of different styles, character and colors, this villa is distinguished by rigorous architectonic order. The first decision on the project for Vila Aspicuelta was not to dig up the subsoil for parking space, so as not to disturb the groundwater table, as much as to avoid additional costs. It then became necessary to suspend the building structure and free the ground area for the circulation of automobiles. "We wanted to create the sensation of a low floating rock, without you really being able to understand how," says architect Rodrigo Cerviño Lopez who, alongside Fernando Falcon, form Tacoa Arquitetos Associados. To resolve problems with legislation, the beams span from one side, bearing on pillars built into the lateral wall, to the other side, encountering structural arches, formed by the junction of traversed segments which, also, serve as guardrails on the access stairs to the units. The beams also chart the boundaries between the apartments and, by their hardly usual form, together with the surrounding wall, maintain the initial intention, of making this look like a floating volume, intact. The ceiling height was rigidly plotted for each one of the floors - the ground floor was reduced to the minimum height, 2.30 m, in order to guarantee that, on the top floor, 0.80 m would still be left over for potting-soil filling, so as to allow residents to create the landscaping that seemed more interesting to them.



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