Rocco Vidal P + W projeta o edifício comercial Pereira Leite, com estrutura metálica, em São Paulo, SP | aU - Arquitetura e Urbanismo

Brasil

Rocco Vidal P + W . São Paulo, SP . 2012/2013

Rocco Vidal P + W projeta o edifício comercial Pereira Leite, com estrutura metálica, em São Paulo, SP

Por Mariana Siqueira Fotos Pedro Kok
Edição 233 - Agosto/2013
Foto: Pedro Kok

A estrutura metálica organiza os ambientes e emoldura os espaços vazios da fachada e da cobertura: assim, os arquitetos conseguiram implantar um edifício que parece único, em três lotes distintos, respeitando a legislação de recuos e de ocupação

Quem vê o novo edifício de escritórios assinado por Rocco Vidal P+W poderá nunca notar que o empreendimento acontece não sobre um, mas sobre três lotes. Um olhar mais atento permite identificar que, efetivamente, por trás das fachadas marcadas pelo ritmo da estrutura metálica, encontram-se três blocos independentes e comunicados. Cada um respeita os recuos estabelecidos por lei e tem uma estrutura própria. Ainda assim, o conjunto pode ser lido como uma unidade graças ao prolongamento da estrutura metálica entre eles junto às fachadas principais: a legislação permite que elementos vazados, desde que apresentem a relação entre cheios e vazios a partir de certa proporção, extrapolem os recuos estabelecidos para o terreno, chegando até seus limites.

O entorno imediato é um bairro residencial de gabarito baixo, razão pela qual os arquitetos buscaram imprimir um caráter mais neutro ao edifício, do ponto de vista programático. Em outras palavras, o edifício não evidencia abrigar um programa de escritórios, mas permite imaginar que outros tipos de função se desenvolvam ali - inclusive, a residencial. Além de utilizar essa linguagem mais fluida e aberta a interpretações, os arquitetos apostaram em um elemento arquitetônico especial para harmonizar o novo empreendimento ao seu entorno: o telhado. Pairando sobre os dois blocos a norte, a cobertura em V estabelece relações formais com as casas da vizinhança, permitindo que o edifício aterrisse - ou brote - com mais suavidade na paisagem circundante. Só foi possível instalar o telhado como união desses dois blocos, do ponto de vista da legislação, porque o elemento se torna uma estrutura vazada junto ao limite entre os lotes - neste trecho, a cobertura assume a forma de um pergolado, aberto.

O acesso de pedestres é feito entre o bloco central e o a sul, conduzindo à recepção e a um eixo transversal ao sentido da entrada, onde se distribuem os núcleos de circulação vertical. A planta dos andares é livre e cada andar conta com um jirau, um piso de área reduzida que formalmente se equipara ao mezanino, mas que, do ponto de vista da legislação, tem outras funções e implicações: o jirau é concebido como um espaço de armazenamento e, curiosamente, não conta como área construída.

O fechamento dos blocos foi feito basicamente em vidro, inaugurando uma relação de transparência e continuidade visual entre as diferentes salas de escritórios. Além disso, o vidro permite tirar proveito máximo das vistas oferecidas pela privilegiada localização do empreendimento, em um dos espigões que compõem a paisagem de São Paulo. Vez ou outra, o vidro dá lugar a superfícies de alvenaria pintadas, o que ajuda no controle da incidência solar, além de conferir um forte sentido de identidade ao conjunto.

Os recuos laterais foram utilizados para a criação de uma rua interna, onde foram previstas a entrada e a saída de automóveis, além do acesso ao estacionamento, semienterrado. O muro a norte, que delimita a área do edifício, já existia e foi mantido, por exibir um grafite que os arquitetos fizeram questão de manter, buscando, com isso, respeitar e valorizar o contexto do bairro.

THREE IN ONE
Whoever sees the new office building signed by RoccoVidal P+W would never notice that the project sits not on a single lot, but on three. A closer look will permit identifying that, effectively, behind the facades marked by the rhythm of the metallic structure, there are three independent and communicating buildings. Each of them respects the retreats established by law, but the complex may be interpreted as one unit thanks to the extension of the metallic structure between them in the main facades. The immediate surroundings consist of a residential district with short buildings zoning, which is why the architects tried to establish a more neutral character for the building, from the programmatic point of view. Hovering over the two blocks in the southern portion, the V cover establishes formal relations with the neighborhood houses, so that the building "lands" softly in the surrounding landscape. Installing the roof as a union of these two blocks according to legislation was only made possible because the element becomes an emptied structure next to the limits between the lots. The enclosing of the blocks is made basically of glass, inaugurating a relationship of transparency and visual continuity between the different office rooms. The glass also takes maximum advantage of the views offered by the project's privileged location, in one of the skyscrapers composing the São Paulo landscape. In some spots, the glass gives way to painted masonry surfaces.



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