Álvaro Leite Siza projeta residência em Vila Real, Portugal | aU - Arquitetura e Urbanismo

Residencial

Álvaro Leite Siza Vieira . Vila Real . 2000/2006

Álvaro Leite Siza projeta residência em Vila Real, Portugal

Álvaro Leite Siza Vieira . Ribeira da Pena, Vila Real, Portugal . 2000/2006

Por Éride Moura Fotos Fernando Guerra
Edição 222 - Setembro/2012

Erguida em terreno fortemente inclinado, no norte de Portugal, essa casa de campo projetada pelo arquiteto Álvaro Leite Siza Vieira - filho de Álvaro Siza - teve o programa organizado em pequenos volumes associados e articulados entre si, implantados de maneira a refletir a curva e o grau da encosta

O terreno era estreito, comprido e fortemente inclinado (cerca de 33°), com área de 1 mil m² e configuração irregular. O programa para a casa de 180 m² constava de três quartos, escritório, banheiros, lavabo, ambientes de estar e jantar, cozinha e despensa. No exterior, uma cobertura para carro e uma pequena piscina. Apesar da topografia difícil, o lote estava voltado para a face sul (a mais saudável no hemisfério norte), o que levou o arquiteto a desenvolver um tipo de implantação que não apenas se adequasse ao grande declive, mas que fosse capaz de captar o máximo de luz solar e oferecer belas visuais do entorno.

A solução foi a fragmentação da planta, que se desenvolve em desníveis com uma apurada composição de pequenos volumes associados e articulados entre si, em que cada desnível corresponde a um único compartimento. A entrada principal foi projetada a partir da plataforma da garagem, no topo da colina, face norte do terreno, com vistas para o vale e para a montanha. O acesso à casa também é possível na cota inferior, ao sul, por uma passagem de pedestres mais agreste. A ocupação linear ao centro do lote permitiu a preservação das árvores pré-existentes, de forte expressão no sítio.

A instabilidade do terreno e os baixos recursos disponíveis fizeram com que fossem projetados pátios externos nivelados, correspondentes às coberturas dos vários níveis, permitindo o uso máximo do espaço externo; e ainda ligação por escadas, entre as cotas superior e inferior. Com isso, a própria casa é também um caminho, pois a sua forma organiza um percurso externo fundamental. As lajes de cobertura funcionam como pavimentos de apoio ao jardim, à semelhança das eiras e pátios tradicionais das moradias da região norte de Portugal.

As escadas externas que ligam os pátios espelham as escadas internas que unem os compartimentos do programa. "Os fragmentos dos desníveis correspondem aos compartimentos da casa e vão se organizando e movimentando de acordo com a morfologia do terreno. Quer abrindo para sul quer de acordo com o desnível", explica Álvaro Leite. As aberturas da casa foram orientadas para o sul, por cima do desnível adjacente, o que propiciou a otimização solar.

A estrutura contínua e parcialmente enterrada (por conta dos limites de orçamento e da segurança), de concreto armado aparente, lembra as rochas que emergem do solo na região e permitiu a estabilização da casa no acentuado declive do terreno, e ainda garantiu um bom comportamento térmico. As escadas que ligam os desníveis encontram-se a oeste, local de cotas superiores, otimizando a térmica no espaço interior e colocando as escadas exteriores, que correspondem às coberturas das escadas interiores, no nível do terreno. Ou seja, o percurso externo está no nível do terreno, permitindo criar segurança nos deslocamentos entre os pátios e em todo o espaço exterior.

Segundo o arquiteto, não houve necessidade de paredes duplas. As fundações, paredes e coberturas foram impermeabilizadas com telas de PVC. Nas coberturas foi feito o isolamento térmico no revestimento e por baixo das placas, que receberam acabamento com lajotas de concreto pré-fabricado antiderrapante. As lajes de pavimento, de concreto armado, foram projetadas com uma caixa de ar entre estas e o terreno, de maneira a garantir a boa impermeabilização e o melhor comportamento térmico, uma vez que o nível freático é elevado.

As paredes de concreto armado receberam acabamento exterior com fôrmas especiais. Alguns pátios foram preenchidos com terra vegetal para receber posteriormente cobertura de grama. Nas poucas divisórias internas, utilizou-se bloco de cimento rebocado e pintado de branco. Os pavimentos interiores, portas e rodapés são de madeira, exceto nas áreas úmidas. Já as portas e janelas externas foram executadas em metal com vidro duplo para melhor isolamento térmico e acústico.

SPACES AND FRAGMENTS
The lot was narrow, long and very inclined (about 33°), with an area of 1 thousand m² and irregular configuration. In spite of the difficult topography, the lot was oriented to the south (the healthiest in the northern hemisphere), which led the architect to develop a building that would not only become adequate to the steep declivity, but was also capable of collecting the maximum sunlight and offer views to the beautiful surroundings. The solution was fragmenting the plan, developed in echelons by a refined composition of small volumes associated and articulated between them, in such a manner that each echelon corresponds to a single compartment. The lot's instability and the small available resources led to the projects of many leveled external patios, corresponding to the covers at the many levels, permitting the maximum use of external space; and also the connection through stairways, between the top and bottom heights. Thus, the house is also a pathway, as its form organizes a fundamental external course. The cover slabs function as sidewalks to support the garden, similar to the traditional floors and patios in Portugal's northern region homes. The external stairways connecting the patios correspond to the internal stairs uniting the program's compartments.



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