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Edifício de 1950 é transformado e modernizado com projeto de Spadoni AA, em São Paulo

Por Giovanny Gerolla Fotos Tiago Andrade
Edição 218 - Maio/2012

Spadoni AA . São Paulo, SP . 2007/2009

Projeto, gerenciamento de obras e coordenação em tempo integral por um mesmo escritório de arquitetura foram os ingredientes da receita que renovou ares do centro paulistano

A força do trabalho também reurbaniza. A reinvenção da cidade de São Paulo passou pela Barra Funda, bairro de velhos galpões industriais e edifícios deteriorados de meados do século passado, sob a foice e o martelo do Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados e Tecnologia da Informação (Sindpd). O (re)toque laboral transformou um ponto comercial de arquitetura simples e apagada em ícone para o futuro do espaço urbano paulista.

Quem articulou esta revolução foram os arquitetos Francisco Spadoni e Lauresto Couto Esher. "Descascamos o prédio dos anos de 1950 deixando expostos os elementos estruturais de concreto armado; a recuperação foi total", descrevem.

A recente configuração mostra, ao nível da rua, concreto aparente com a sigla do sindicato em relevo. Nos pavimentos superiores, vidros e brises metálicos dispostos horizontalmente comunicam o alcance longilíneo da nova arquitetura, acompanhando a importância da atuação política do sindicato.

Se antes a fachada era um elemento curvo que acompanhava a esquina, a atual direção das linhas horizontais forma um canto reto, no ponto de encontro entre a avenida Angélica e a rua Barra Funda. "Era importante trazer esse sindicato, de forte atuação no cenário nacional, para um dos focos de revitalização da cidade", justifica Francisco. "A Barra Funda é central, tem um histórico industrial - o terreno está próximo da linha férrea - e se enquadra no contexto de revelação da nova São Paulo."

Seu protagonismo é explicado pelo fato de fazer frente para três ruas ao mesmo tempo, em terreno de formato trapezoidal. "A entrada principal é pela Angélica, enquanto os fundos têm vista para uma praça; o desenho do prédio acompanha o do lote."

Em sua velha geometria, o edifício tinha andar térreo e outros dois pavimentos, cobertos por telhas de amianto sobre tesoura. A reestruturação adicionou terraço aberto sobre o segundo andar, abrindo um pavilhão de eventos com churrasqueira.

No térreo estão funções mais públicas: de atendimento a associados, serviços sociais, turismo e recepções, a copa e área restrita para funcionários. Há ainda um auditório fechado com parede curva que limita, para o lado de fora do ambiente de convenções, uma galeria de exposição, privilegiada pela luz natural que entra por claraboia no átrio de circulação vertical. O átrio, por sua vez, é formado por um vazio a partir de recortes nas lajes, interligando os três andares.

Além da entrada para o auditório por dentro do hall de recepção, também é possível acessá-lo diretamente por fora - detalhe importante nos dias em que é locado por outras agremiações, e fora do horário de expediente.

O segundo auditório, oval e menor, fica no primeiro andar, um piso de transição. Seu formato é o de uma elipse lançada na diagonal. "Se abertas suas duas portas, transforma-se em um grande corredor", afirma Francisco.

O segundo andar ficou reservado aos escritórios da diretoria. Térreo e área de escritórios receberam pisos vinílicos e forros metálicos perfurados. Os auditórios têm carpete e, nas paredes, painéis de madeira frejó.

As estruturas foram reforçadas para receber o novo pavimento de cobertura - o que implicou a alteração da relação de cargas sobre as fundações. Apesar da pouca altura do pé-direito no subsolo, blocos de fundação puderam ser ampliados, novas estacas perfuradas e os diâmetros de colunas, aumentados. "Somente as vigas permaneceram exatamente como estavam", explica Francisco.

Todo o trabalho de reforço estrutural se deu do subsolo até o primeiro andar. "O estado das ferragens à mostra era tão crítico a partir do terceiro pavimento que o engenheiro calculista achou por bem substituí-las naquela altura, com novas colunas de concreto armado."

Já o pavilhão de eventos e a estrutura da cobertura, além da escada atirantada, foram pensados para perfis metálicos. Apesar dos reforços, a modulação das colunas foi mantida em sua lógica original.

Na fachada, os brises são de alumínio, material que garante a leveza para a estrutura existente, e ainda acompanha o ritmo da modulação dos caixilhos - que, aliás, foram trocados por esquadrias de alumínio com vidros temperados laminados de 8 mm e vedação acústica. "O material de revestimento da fachada, no nível térreo, foi o GRC , pré-moldados à base de cimento reforçado com fibras de vidro, texturados (aspecto de concreto aparente) e leves, de 2,5 mm de espessura", especifica Tiago Andrade, arquiteto e coordenador de obras do Spadoni AA . O restante das alvenarias foi revestido com pastilhas cerâmicas.

Já o átrio de circulação vertical foi transformado em grande ponto focal e irradiador de luz. A estrutura metálica do pavimento de cobertura vira uma claraboia, que banha de sol todos os andares. "A escada atirantada recebeu, em uma das paredes adjacentes, mosaico de pedras portuguesas, garantindo maior identidade ao edifício, ao exaltar a história da luta sindical", aponta Francisco Spadoni.

O mosaico de 18.500 pedras naturais recria um mural de Pablo Picasso de 1955, criado especialmente para homenagear o décimo aniversário da Federação Sindical Mundial. Foice, martelo e mãos de trabalhadores se unem, formando uma flor. A obra, desaparecida de Praga desde a queda do regime comunista na ex-URSS em 1989, pode agora ser apreciada sob o sol da Barra Funda, bem no Centro de São Paulo.

GEOMETRY OF THE RENAISSANCE
A commercial site with a simple and effaced architecture became an icon of the future in a transforming district of São Paulo. The articulators of this revolution were the architects from Spadoni AA, for the headquarters of a union. If, previously, the facade was a curved element accompanying the corner, the current direction of the horizontal lines forms a right angle. In its old geometry, the building had a ground floor and two other floors, covered by asbestos tiles supported by a truss. Restructuringadded an open terrace over the second floor, installing an events hall with barbecue facilities. Structures were reinforced to receive the new covering floor - which implied in the alteration of the load proportions on the foundations. At the facade, the brises are made of aluminum, a material that ensures lightness for the existing structure, and also accompanies the modulating rhythm of the casement - which, by the way, were exchanged by aluminum frames with 8 mm laminated tempered glass and acoustic barrier. Meanwhile the vertical circulation atrium, formed by voids carved in the slabs, was transformed into a large light irradiating focal point. The penthouse floor's metallic structure became a skylight, bathing all the floors with sunlight. In it there is a Portuguese stone mosaic, recreating a 1955 mural by Pablo Picasso, created to celebrate the tenth anniversary of the World Federation of Unions.

 

 



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