Arquivos deslizantes propiciam economia de espaço de até 70% | aU - Arquitetura e Urbanismo

Tecnologia

Arquivos deslizantes propiciam economia de espaço de até 70%

Ao racionalizar o armazenamento de documentos em espaços corporativos, arquivos deslizantes propiciam economia de espaço de até 70%

Por Juliana Nakamura
Edição 213 - Dezembro/2011

A redução do espaço físico disponível nos escritórios e a necessidade de gerenciar de forma mais eficiente os documentos e a memória das empresas têm induzido ao uso de arquivos deslizantes. A solução, que até pouco tempo era exclusividade de grandes corporações internacionais, vem conquistando o mercado corporativo nacional graças à otimização de espaço que promete, especialmente para setores que em seu dia a dia armazenam muito material, como departamento pessoal, almoxarifado e centros de documentação, entre outros.

O sistema se caracteriza por um conjunto de estantes modulares estruturadas em aço, que se deslocam sobre trilhos também metálicos fixados em plataformas de madeira ou diretamente no piso. Com isso, em vez de vários corredores entre as estantes, como ocorre no modelo fixo, há apenas um corredor móvel que troca de lugar conforme o usuário movimenta os módulos. "Essa operação resulta em economia de espaço, que em alguns casos pode chegar a 70% da área ocupada, se comparado aos métodos tradicionais de armazenagem de informações", revela a arquiteta Heloisa Dabus, especializada em arquitetura corporativa.

A opção pelo armazenamento sobre trilhos se explica também por outras vantagens, como a possibilidade de centralizar as informações de modo sistemático, melhorar a conservação dos itens guardados e permitir fácil acesso aos arquivos gerados. "Antigamente os arquivos deslizantes eram muito caros, mas o custo do metro quadrado ainda não era um problema. Hoje os custos estão muito mais competitivos e o adensamento das áreas de trabalho são uma realidade", comenta Heloisa.

Embora no Brasil ainda mantenham uma aura de novidade, os arquivos deslizantes surgiram há pelo menos quatro décadas e são amplamente utilizados no exterior. Nos últimos anos os sistemas deixaram de ser apenas deslizantes para se tornarem mais tecnológicos e visual­mente interessantes, acompanhando a comunicação visual e o layout dos ambientes.

Surgiram os arquivos adesivados, com as faces re­­­­­ves­tidas com vidro e tecido e as estanterias deslizantes, ventiladas. Outra inovação foram os acionamentos eletrônicos. Muitos arquivos, inclusive, podem funcionar junto a um sistema de controle de acesso biométrico e serem controlados por softwares que gerenciam e comandam a localização do tipo de documento. "Esse produto vem sofrendo constante desenvolvimento, possibilitando guardar vários outros materiais. Hoje temos a utilização de arquivos deslizantes até em estoque de grandes lojas de departamentos", revela Heloisa.

Também funciona como um indutor ao uso dos arquivos deslizantes a versatilidade dos modelos disponíveis. Na maior parte das vezes, os arquivos podem ser ampliados ou reformulados de acordo com as necessidades do usuário, evitando a substituição do móvel e garantindo a preservação do investimento.

Bechmann Arquitetura
Os arquivos deslizantes podem ser instalados em pisos nivelados ou em declive, com calços ou plataforma com estrados

ESPECIFICAÇÃO

"O arquivo deslizante é uma solução moderna, inteligente e econômica. Entretanto o resultado é mais satisfatório quando há um dimensionamento correto das necessidades considerando princípios básicos de organização, racionalização e ergonomia", aponta o arquiteto José Carlos Bechmann, especializado em projetos corporativos.

A seleção do modelo do arquivo deve analisar aspectos como a quantidade e volume dos itens a serem armazenados, as condições da área disponível (dimensões, ventilação, desníveis etc.), e o manuseio, sobretudo o número de pessoas que terá acesso ao arquivo. "Dependendo da quantidade de usuários que consulta simultaneamente o arquivo, pode ser necessário utilizar mais de um corredor operacional, o que implicará uma redução na economia do espaço", salienta José Carlos. Em geral, utiliza-se 800 mm como medida mínima para cada vão operacional.

Os arquivos deslizantes podem ser instalados em pisos nivelados ou em declive, com calços ou plataforma com estrados. Também podem ser movimentados de forma mecânica ou eletrônica. O acionamento eletrônico surgiu há alguns anos como uma forma de agregar maior conforto ao usuário e é mais indicado para projetos com muitos módulos. "Mas a opção pela movimentação eletrônica eleva consideravelmente o custo do arquivo e não contribui para as questões de sustentabilidade", ressalta José Carlos. Por isso, segundo o arquiteto, a opção pela movimentação mecânica, que também permite a movimentação dos módulos com facilidade e suavidade, é muito mais utilizada.

Um aspecto ao qual o especificador precisa ter cuidado é o peso, principalmente porque a concentração de carga em um arquivo deslizante tende a ser maior do que em um sistema convencional. Heloisa conta que o peso dos arquivos oferecidos atualmente está adequado às lajes comerciais, em torno de 300 kg/m². Mesmo assim, em alguns casos, a instalação pode exigir um reforço estrutural, especialmente em edifícios que passaram por mudança de uso.

VARIEDADE

A configuração interna dos arquivos é chave para o ótimo aproveitamento de espaço. Para tanto, a indústria oferece componentes e acessórios que podem adicionar praticidade aos arquivos deslizantes, desde luminárias internas até prateleiras, suportes para pastas suspensas laterais, suportes inclinados para impressos, gavetas etc. "As possibilidades de utilização dos arquivos deslizantes se tornaram bastante flexíveis. Tanto que embora seja mais comum o arquivamento de pastas A-Z, pastas suspensas ou fitas, nada impede que esses móveis sejam usados até para guardar roupas e objetos pessoais", destaca Heloisa.

Ainda não há no Brasil normas técnicas que tratem da fabricação e projeto de arquivos deslizantes. Essa deficiência, contudo, pode ser minimizada dando preferência a fornecedores com práticas sustentáveis certificadas, cujos produtos tenham sido submetidos a testes em laboratórios.

 

Pregnolato & Kusuki Estúdio Fotográfico
Constraste visual

Na filial da Western Union, em São Paulo, superfícies brancas e transparências se contrapõem a peças de cores vibrantes e materiais de acabamento inusitados. Um dos destaques é o arquivo deslizante totalmente automatizado com 223 cm de altura, que chama atenção pela frente de vidro vermelho. O modelo utilizado permite a movimentação de até 12 módulos de até 12 metros de profundidade com apenas um toque em uma tecla.

FICHA TÉCNICA
OBRA Filial da Western Union
ANO 2008
LOCAL São Paulo
ÁREA 1.600 m²
ARQUITETURA Athié Wohnrath
ARQUIVO DESLIZANTE Giroflex/Aceco

 

 

 

 

 

divulgação Bechmann Arquitetura
Acervo biológico

Estanterias deslizantes com acionamento mecânico foram utilizadas na reforma do laboratório de Análises Biológicas do Instituto Oceanográfico da USP. O sistema de arquivamento permitiu centralizar os vidros de amostras biológicas que antes ficavam espalhados por várias salas. A especificação do arquivo deslizante com 2,23 m de altura levou em conta a necessidade de facilitar o manuseio dos materiais e criar circulação do ar-condicionado.

FICHA TÉCNICA
OBRA Instituto Oceanográfico da USP
ANO 2011
LOCAL São Paulo
ÁREA 43,6 m²
ARQUITETURA Bechmann Arquitetura
ARQUIVO DESLIZANTE Huffix

 

 

 

arquivo: Fazenda / fotografia distorcida por lente
Mega-arquivo

O arquivo deslizante instalado no Ministério da Fazenda, em Brasília, DF, é um dos maiores já instalados no Brasil. Com 6.160 metros lineares de arquivamento em uma única base de trilhos, o arquivo, que tem 300 cm de altura e 700 cm de profundidade, conta com acionamento manual.

FICHA TÉCNICA
OBRA Ministério da Fazenda
ANO 2009
LOCAL Brasília
ÁREA 3.750 m²
ARQUITETURA Departamento interno de projeto e engenharia
ARQUIVO DESLIZANTE OFC Arquivos

 

 

 

 

 

 

 

Banco Pine Pregnolato & Kusuki Estúdio
Integrado à arquitetura

Para a sede do Banco Pine, em São Paulo, SP, os arquitetos do escritório Athié Wohnrath especificaram um arquivo deslizante com acionamento mecânico. A peça ocupa um nicho próximo às estações de trabalho e, apesar de grande, integra-se à linguagem adotada em todo o escritório, sóbria e contemporânea.

FICHA TÉCNICA
OBRA Banco Pine
ANO 2008
LOCAL São Paulo
ÁREA 3.500 m²
ARQUITETURA Athié Wohnrath
ARQUIVO DESLIZANTE Caviglia

 

 



Destaques da Loja Pini
Aplicativos