A importância do briefing | aU - Arquitetura e Urbanismo

Artigo

A importância do briefing

Por Vinicius Abbate
Edição 202 - Janeiro/2011

Um briefing adequado é o primeiro passo para o sucesso de um projeto. A qualidade das informações iniciais, diretrizes do projeto de arquitetura, é essencial para que o arquiteto entenda as necessidades de seu cliente e desenvolva um trabalho em sintonia com esses anseios.

Essa etapa do projeto ganha importância com a consolidação das certificações de sustentabilidade e a perspectiva de exigibilidade da norma de desempenho. É nesse momento, por exemplo, que o cliente define a performance que deseja do projeto, e que o arquiteto começa a traçar as estratégias nessa direção.

Para a arquiteta Bela Gebara, sócia do escritório Gebara Conde Sinisgalli Associados, é importante esclarecer o verdadeiro escopo dessa fase preliminar dos trabalhos. "O briefing não dita soluções e, sim, necessidades do projeto", afirma. "É o projeto arquitetônico que trará as soluções espaciais, funcionais e estéticas."

Na maior parte dos casos, o arquiteto produz o briefing em conjunto com o cliente. Em geral, um bom projeto é resultado da cooperação entre o cliente e o escritório de arquitetura. É função do arquiteto estabelecer um método de trabalho e uma forma de comunicação com o cliente que lhe permita extrair as informações necessárias para o desenvolvimento do projeto.

Corporativos

Clientes empresariais, que possuem processos bem definidos e bastante técnicos, normalmente participam mais ativamente da etapa de discussões sobre o projeto. Em alguns casos, o cliente impõe uma série de requisitos durante o briefing.

Quando necessário, no entanto, os arquitetos podem e devem questionar o cliente. "É essencial que o arquiteto participe da construção do programa e dos parâmetros de custos juntamente com o cliente, auxiliando na equalização de possíveis exageros, para mais ou para menos", afirma Marcelo Morettin, sócio do escritório Andrade Morettin.

falta de objetividade

Quando o cliente não sabe dizer o que deseja do projeto é preciso que o arquiteto provoque essa consciência. Isso pode ser feito, por exemplo, pela apresentação de um estudo preliminar. Depois de apresentado, normalmente, o cliente reage positiva ou negativamente, deixando transparecer seus desejos e necessidades.

"Isso acontece em várias situações. É importante, quando não se consegue as informações conscientemente, perceber, por meio gestos, olhares e sentimentos, os desejos do cliente", afirma Ivo Mareines, do escritório Mareines Patalano Arquitetura. "Tentamos fazer o que acreditamos. Se o que acreditamos satisfaz o cliente, melhor, se não, tentamos convencê-lo ou pedimos que ele nos convença. Não implementamos ideias que consideramos erradas", continua.

REUNIÕES

Para a definição dos parâmetros iniciais de projeto, são necessárias uma reunião de trabalho (para discussão de programa, parâmetros de custos) e uma visita ao terreno. O tempo gasto nesses entendimentos iniciais depende muito do nível de objetividade do cliente. Em geral, é realizada uma primeira reunião, que dura aproximadamente duas horas. A partir dessa conversa, e com levantamentos de fotos e medidas em mãos, é possível dar início ao projeto.

EVITANDO EQUÍVOCOS

Um briefing mal realizado pode gerar erros de conceito e resultar em um estudo que não atende às necessidades do cliente. Quando as premissas por ele assumidas são equivocadas, é função do arquiteto apontar e demonstrar os pontos incoerentes e apresentar alternativas.

Um briefing malfeito também pode significar riscos para os processos internos da empresa de projeto de arquitetura. O cliente, ainda que possa ser responsável por informações imprecisas, erradas ou incompletas, sempre imputará ao arquiteto as eventuais falhas desse processo. Dessa forma, o arquiteto deve atuar no sentido de estruturar o procedimento de briefing para minimizar essas falhas, encaminhando corretamente o início do projeto. "O briefing deve ser visto como parte de um processo maior, que é o processo de projeto, cujas fases e atividades devem estar bem definidas, para que não se apresentem limitações ao processo criativo que caracteriza a produção do arquiteto", afirma Silvio Melhado, professor da Poli-USP.

 

Estrutura do briefing

Existem clientes que sabem objetivamente o que desejam de um projeto de arquitetura, e fornecem uma maior quantidade de informações que serão úteis durante o processo de concepção do trabalho. Por outro lado, há clientes que não têm uma noção tão clara sobre o que desejam do arquiteto. Para evitar informações escassas ou de má qualidade durante o briefing, aconselha-se estruturar o procedimento de coleta de informações.

Informações sobre o terreno localização, clima, topografia, vegetação existente, características do entorno

Programa quais serão os ambientes destinados a cada atividade realizada no imóvel

Performance do edifício itens como a categoria de sustentabilidade almejada ou o nível de desempenho devem ser definidos nas primeiras reuniões

Preferências do cliente conhecer as expectativas do cliente pode ajudar na elaboração de um projeto mais atraente

Prazos o grau de urgência de entrega do projeto pode ser determinante na escolha da tecnologia construtiva

Orçamento os parâmetros de investimento do cliente dão ideia sobre as dimensões do projeto, os materiais utilizados etc.

Função e imagem da empresa em projetos corporativos ajudam a definir o estilo do escritório, o tipo de mobiliário, dos acabamentos e dos elementos decorativos

Hierarquia, organograma e fluxograma itens importantes para a distribuição dos espaços de trabalho, de reunião e das áreas de circulação no escritório

 



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