Em São Paulo, Spadoni + Associados usam vidro e estruturas metálicas em projeto de Showroom da Hyundai | aU - Arquitetura e Urbanismo

Edifícios

Em São Paulo, Spadoni + Associados usam vidro e estruturas metálicas em projeto de Showroom da Hyundai

Estrutura metálica e vidro são os materiais escolhidos para compor o pavilhão que abriga o novo showroom da Hyundai

Por Ledy Valporto Leal FOTOS LEONARDO FINOTTI
Edição 191 - Fevereiro/2010

Uma esquina emblemática de São Paulo, cruzamento das avenidas Luis Carlos Berrini e Morumbi, recebe tratamento inusitado com o projeto do arquiteto Francisco Spadoni para o showroom da Hyundai. A transparência foi o principal objetivo do programa e obteve o resultado pretendido - deu à edificação caráter semelhante a um pavilhão e, ao mesmo tempo, reflete a nova configuração urbana do bairro.

Distinta de áreas como o Centro da cidade, a região da Berrini engloba grandes empreendimentos do setor corporativo e empresas de tecnologia que definem seu perfil - shoppings, hotéis, bancos, escritórios, todos com tratamento formal capaz de compor um conjunto de edifícios arquitetonicamente independentes.

As peculiaridades desse entorno foram consideradas no projeto da concessionária Hyundai. De acordo com o arquiteto, levou-se em conta "construir uma esquina de maneira urbana, dando certa condição de transparência e de escala da calçada". E a ideia de continuidade do espaço público foi concretizada com a incorporação da área de recuo à calçada, graças ao revestimento com pedra portuguesa.

O pavilhão está elevado 1,20 m do solo. "A intenção foi criar um elemento arquitetônico forte que se comunicasse com a cidade, mas que tivesse independência" acrescenta o arquiteto. Ao contrário dos edifícios de grande altura que marcam a ocupação dessa área muito valorizada comercialmente, o programa da Hyundai restringiu-se a uma solução horizontal de um único pavimento.

Executado tal como uma caixa de vidro, com seus elementos estruturais metálicos reduzidos ao essencial - o que viabilizou o prazo de três meses de construção -, o edifício enfatiza a tecnologia contemporânea, estabelecendo um paralelo com a do produto que expõe.

Uma grande parede de vidro com aproximadamente 50 m de comprimento constitui o elemento de destaque da edificação. Disposta à frente da estrutura, essa superfície é suportada somente por perfis horizontais que a dividem em três módulos, sendo eliminados montantes verticais - os vidros, com modulação de 1,20 m, são colados nas bordas com silicone.

Perfis metálicos de seção delgada, contraventados por diagonais, resultam em um grande esqueleto com vidros encaixados diretamente na estrutura, dispensando a presença de caixilhos. "Chegamos ao limite da ideia pele e osso", declara Spadoni, e acrescenta que a inspiração veio de um posto de gasolina projetado por Mies van der Rohe em Montreal, Canadá. "Uma obra que se destaca justamente por não ter nada; é simplesmente uma estrutura, nada mais. Sintetiza o pensamento do Mies de criar uma obra anônima para a cidade", finaliza.

Voltada para a avenida Berrini, a grande parede de vidro com aproximadamente 50 m de comprimento tem, ainda, altura de 9 m - o que supera o pé-direito de 7 m do salão, de modo a não sofrer a interferência dos elementos componentes da cobertura em seu desenho.

No alto, o nome da empresa foi aplicado com adesivo, com as letras cortadas. Essa solução funciona também como "persiana para controlar a insolação", informa o arquiteto.

Implantado em forma de L no terreno de 60 m x 60 m, o pavilhão possui dois acessos para o público, um em cada avenida, enquanto uma rampa metálica serve de entrada aos veículos. Internamente, a área de exposições dos automóveis e o atendimento ocupam a maior parte do espaço, situando-se sob o mezanino (que abriga administração, sanitários e apoio) as áreas de recepção e entrega de carros. O forro de gesso embute o sistema de ar condicionado e foi trabalhado com luminárias quadradas, com iluminação indireta.

SKIN AND BONES
A memorable corner in São Paulo, at the crossing between the Luis Carlos Berrini and Morumbi Avenues, was treated differently with for holding Hyundai's showroom project by architect Francisco Spadoni. According to the architect, he took into consideration the "building of an urban wooden corner, giving the sidewalk a somewhat transparent and scaled condition", states Spadoni. The pavilion is elevated 1.20 m from the ground. "The intention was to create a strong architectural element communicating with the city, but with independence", adds the architect. A large glass wall, approximately 50 m long, is the building's outstanding element. Disposed in front of the structure, only horizontal profiles support this surface by dividing it into three modules, with the elimination of vertical pillars - the glasses, with a 1.20 m modulation, glued to the edges with silicone. "We reached the limit in the skin and bones idea", declares Spadoni, and adds that the inspiration came from a gasoline station designed by Mies van der Rohe in Montreal, Canada. Facing the Berrini Avenue, the large glass wall is 9 m tall - which surpasses the hall's 7 m height, so that it does not suffer any interference from the cover component elements in its design. Laminated glass covers the void.

 



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