OBRA RACIONAL | aU - Arquitetura e Urbanismo

Residencial

MÔNICA JUNQUEIRA CAMARGO UBATUBA, SP 2004/2005

OBRA RACIONAL

UM TERRENO PRIVILEGIADO ENTRE BOSQUES E A PRAIA E UMA FAMÍLIA QUE DESEJAVA DESFRUTAR ESSE PRIVILÉGIO ORIENTARAM EM GRANDE PARTE O PROJETO DA CASA DE VERANEIO SITUADA NA PRAIA VERMELHA, EM UBATUBA

POR HAIFA Y. SABBAG FOTOS SOFIA MATTOS
Edição 157 - Março/2007
A PRAIA DOS ARQUITETOS

Em um momento em que a palavra sustentabilidade domina debates de arquitetos e urbanistas do mundo todo, vale lembrar como foi pensada a ocupação dessa praia de natureza excepcional. Segundo Mônica Junqueira, trata-se de uma experiência inovadora de conceitos de preservação do meio ambiente realizada há quase meio século.

No final da década de 1960, uma antiga fazenda de 200 alqueires, situada no município de Ubatuba, litoral norte do Estado de São Paulo, foi loteada pelo proprietário, o topógrafo de origem lituana Leon Sisla, responsável pela abertura de muitos bairros na capital - o do Morumbi entre eles. O arquiteto Carlos Lemos foi procurado por Leon quando trabalhava na Engenharia Sanitária no Departamento de Saúde, onde era examinador de loteamentos, para a aprovação de uma proposta que, segundo sua avaliação, destruiria grande parte da vegetação. Com os comentários de Lemos, Sisla refletiu melhor e resolveu pedir a ele um novo projeto, com melhor implantação dos lotes.

Lemos adotou um partido que preservava o máximo possível a vegetação natural à beira-mar, chamada jundu, na encosta do morro, nas faixas que beiram os riachos. Conforme lembra, "só tiramos o necessário, tanto que hoje, exceção feita a algumas poucas ocupações realizadas fora dos padrões e normas estipulados, a área parece estar no seu estado natural e o loteamento se confunde com o morro preservado".

Por meio de normas para a construção, como recuos, taxas de ocupação, gabarito, reservatório e captação de águas pluviais, o loteamento se tornou um empreendimento altamente ecológico e muitas das suas qualidades se devem à Olga Sisla, mulher de Leon Sisla, que cuidou pessoalmente da preservação da área assim como de seu reflorestamento com mudas nativas, até seu falecimento em 2005.

Os primeiros arquitetos que se aventuraram a construir em uma área de difícil acesso foram, segundo observa Mônica Junqueira, aqueles que perceberam pelo projeto a qualidade do empreendimento. Para citar apenas alguns, estão ali presentes obras de Sérgio Pilegi, João Walter Toscano, Renato Nunes, Plínio Croce, José Ricardo Gomes, Benno Peremulter, Pepe Asbun e Hebe Olga, responsáveis indiretamente pelo nome com que ficou conhecido esse pedaço do litoral paulista. Lemos foi responsável por vários projetos para clientes, assim como Carlos Bratke, Eduardo de Almeida, Marcos Acayaba, Jorge Königsberger, Samuel Kruchin e outros.

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