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Tecnologia

ERA DO AÇO

EMBORA O USO DA ESTRUTURA METÁLICA NO BRASIL AINDA ESTEJA RESTRITO, NOS ÚLTIMOS ANOS A DEMANDA POR SOLUÇÕES DESSE TIPO VEM CRESCENDO. A ESCOLHA É FEITA, PRINCIPALMENTE, POR CLIENTES QUE NECESSITAM DE RACIONALIZAÇÃO NA OBRA E DE PROJETOS ECOEFICIENTES

POR JULIANA NAKAMURA
Edição 152 - Novembro/2006

Desde o século 18, quando europeus e norte-americanos passaram a conceber edificações com o uso de estruturas metálicas, muitos arquitetos utilizaram as propriedades desse sistema para conceber soluções arrojadas, com alto índice de industrialização e precisão. No hemisfério Norte, não faltam exemplos de arquitetura de vanguarda concebida sobre pilares e vigas de aço: da turística Torre Eiffel, em Paris, aos arranha-céus norte-americanos da Escola de Chicago e, mais recentemente, às pontes e passarelas de Santiago Calatrava, com exemplares na América Latina – como a Ponte da Mulher, em Puerto Madero, Buenos Aires.

Apenas nos últimos 15 anos o Brasil começa a explorar com mais intensidade essa alternativa estrutural. Enquanto na Inglaterra cerca de 70% dos prédios com mais de quatro andares usam estrutura de aço, no Brasil, com uma cultura construtiva que sempre se baseou no concreto, esse percentual não passa de 5%.

Mas as perspectivas são de crescimento. Pelo menos é essa a opinião (e expectativa) das siderúrgicas, dos montadores e dos especificadores. José Eliseu Verzoni, presidente da Associação Brasileira da Construção Metálica (Abcem) e diretor da Metasa, crê em uma taxa de crescimento superior a 10% ao ano. Além disso, dados do Centro Brasileiro da Construção em Aço (CBCA) indicam que nos últimos cinco anos houve um crescimento de 52% no uso dessa tecnologia por arquitetos, engenheiros e construtores. Em 1990, as edificações com estruturas de aço no País somavam três milhões de metros quadrados; dez anos depois, esse número dobrou.

Tal evolução estaria fundamentada no incremento de produtos e soluções industrializadas que geram menor impacto ambiental, além da expectativa de investimentos em infra-estrutura pelos setores públicos e privados, especialmente a indústria de petróleo e gás e de papel e celulose. "Já está na hora de construirmos de forma mais inteligente, privilegiando os sistemas industrializados, racionais, que apresentem longa vida útil", argumenta Vanderley John, professor do Departamento de Engenharia de Construção Civil da Escola Politécnica da USP em conferência durante o Congresso Latino-americano de Construção Metálica (Construmetal), promovido em setembro de 2006 pela Abcem, em São Paulo. "A tendência é que se busquem soluções tecnológicas que colaborem para a produção de edificações de qualidade, com materiais mais eficientes e que gerem baixo impacto ao meio ambiente", continuou Vanderley, que vê na estrutura metálica um dos sistemas com grande potencial para atender tais exigências.

Entre os exemplos que se encaixam nas soluções dadas por Vanderley, despontam projetos como a ampliação do Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes), na Ilha do Fundão, Rio de Janeiro, assinado por Siegbert Zanettini, um dos arquitetos precursores da estrutura metálica no Brasil. "O aço é um material com amplas possibilidades de uso – de grandes edificações a obras-de-arte e mobiliário urbano. O controle de qualidade da indústria, da fundição à usinagem e pintura, e a precisão milimétrica da montagem são muito superiores em comparação ao método artesanal", acrescenta o arquiteto.

O Cenpes, uma construção predominantemente horizontal, propõe edificações intercaladas por espaços abertos e áreas cobertas enriquecidas com jardins de restinga. "A Petrobras quer reforçar sua imagem de empresa fornecedora de fontes limpas de energia. Em um projeto cuja proposta era ser ecoeficiente e dotado de avançadas tecnologias de reúso de água e de melhor aproveitamento de energia, não fazia sentido dispensarmos os sistemas construtivos limpos e de montagem no canteiro", comenta Zanettini. Na obra do Cenpes utilizou-se, além da estrutura metálica, lajes de steel deck, vedações externas em painéis pré-fabricados de concreto e divisórias internas de drywall.

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