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UM OLHAR PARA O ALTO

Busca por flexibilidade impulsiona a indústria de forros, que procura atender as demandas dos arquitetos por soluções modulares, com ótimo desempenho e excelente acabamento

POR JULIANA NAKAMURA
Edição 149 - Agosto/2006

O forro como forma de acabamento e de demarcação dos espaços internos sempre foi um elemento arquitetônico importante. Nos últimos anos, porém, novas funcionalidades foram atribuídas a ele. Mais do que assumir um papel decorativo, o produto passou a auxiliar na garantia do desempenho acústico das edificações. Ao mesmo tempo, principalmente em ambientes corporativos, o forro torna-se cada vez mais necessário tanto para esconder quanto para facilitar o acesso às instalações prediais que, por sua vez, estão mais complexas.

" A gente não se satisfaz mais com o forro padrão, aquele que todo mundo faz, mas procuramos soluções que possam ser personalizadas e adaptadas às nossas necessidades", ressalta a arquiteta Heloisa Dabus, para quem o forro é indispensável. "Estamos falando do item que mais agrega valor em um espaço corporativo, afinal, as pessoas tendem a olhar para cima, e não para baixo", afirma. Diante de tantas exigências do mercado, não causa surpresa o fato de os sistemas para forro agregarem, a cada ano, mais tecnologia e soluções com matérias-primas e desempenhos variados.

Entre as inovações mais recentes estão, por exemplo, os forros de gesso acartonado e de fibras minerais que contam com um agregado mineral em sua massa que atua como um catalisador de compostos orgânicos voláteis, permitindo, assim, acelerar a decomposição da fumaça e de odores no ambiente. Outra novidade é o forro mineral que absorve as ondas eletromagnéticas excedentes em locais com redes de computadores sem fio - com isso, a velocidade de transmissão de dados aumenta e os índices de quedas da rede diminuem.

Não menos importantes são as novas formas de fixação de forros suspensos, para grandes ou pequenos panos de instalação. Além disso, sistemas que ocultam os perfis estruturais foram criados, assim como diversos tipos de bordas (quadrada, rebaixada, bisotada). "Esse tipo de flexibilidade é fundamental nos dias de hoje", afirma o arquiteto Marcelo Agosto, que aposta no aumento do uso de forros modulares, sobretudo por conta da facilidade para realizar manutenções posteriores. "A tendência é a de que a quantidade de itens instalados no vão situado entre a laje de piso de um andar e o forro do andar inferior aumente cada vez mais, exigindo opções mais flexíveis e remanejáveis", diz o arquiteto.

Na onda dos investimentos em inovação, o forro modular também recebe diferenciais para acabar com o estigma negativo que carrega com relação ao seu aspecto visual - o que vem sendo progressivamente derrubado com o aumento das opções de acabamento disponíveis no mercado. "Equacionar os estoques dos distribuidores com a diversidade de produtos demandada pelos especificadores é o grande desafio para a indústria, que precisa prover soluções esteticamente aceitas, de bom desempenho e ótimo custo", comenta Fábio Miceli, da AMF.

Com inúmeras implicações técnicas e papéis a desempenhar, especificar um sistema de forros é um trabalho complexo que envolve, além da escolha pelo material mais oportuno, a compatibilização com projetos de acústica, ar-condicionado, iluminação, cabeamento, entre outros. Um projeto de modulação de forro precisa, por exemplo, contemplar a adaptação de luminárias, alarmes, sprinklers e equipamentos de segurança. "O universo de soluções é imenso. Para poder encarar a situação de maneira ampla é necessário analisar vantagens e desvantagens de cada alternativa", afirma o engenheiro Fernando Henrique Aidar, consultor em acústica e conforto ambiental.

Desde que adequado à situação de uso, o forro é um grande aliado para prover conforto acústico a um ambiente. Este é, aliás, um dos maiores condicionantes da utilização de um forro, sobretudo em edifícios comerciais e industriais. Capazes de modificar os índices de absorção e de reverberação do som em um recinto, em geral os materiais derivados de fibras minerais apresentam desempenho superior aos forros de gesso, PVC e metálicos. Nada impede, contudo, que um sistema como o drywall ou o de chapas metálicas possa ter suas características técnicas aperfeiçoadas com a inserção de recheios acústicos como mantas e espumas em seus vãos. "Da mesma forma, a combinação de sistemas diferentes para elaboração de um forro pode render bons resultados técnicos e estéticos", comenta a arquiteta Heloisa Dabus, que freqüentemente alia o desempenho das placas de fibra com acabamento de outros materiais, como o gesso e a madeira em sancas e arremates.
"É importante lembrar, contudo, que o maior índice de absorção sonora indicado pelo fabricante do forro não significa, obrigatoriamente, um melhor resultado. Em salas de aula de grandes dimensões, o excesso de material absorvente pode fazer com que os alunos do fundo da sala não ouçam o que o professor diz lá na frente", exemplifica Aidar.

Outro item relevante na escolha por um sistema é a segurança ao fogo, uma vez que, em um incêndio, o forro pode espalhar chamas e emitir gases tóxicos com maior rapidez dependendo da matéria-prima empregada em sua confecção. A dica para o especificador é sempre observar, antes de qualquer escolha, se o produto atende às exigências descritas na NBR 9442 ou solicitar um ensaio.

O local de aplicação do forro é outro importante critério a ser analisado. "Em geral, por conta do menor desempenho técnico, custo mais baixo e aparência neutra, forros de gesso, sobretudo o monolítico, são mais aproveitados para uso residencial", informa a arquiteta Janaina Campanella. Já em áreas em que o forro precisa ser lavável, como em clubes, hospitais e algumas indústrias, os forros de PVC apresentam bom desempenho.

Classificação de forros acústicos
O NRC (Noise Reduction Coefficient - em português, coeficiente de redução de ruído), é a média aritmética dos coeficientes de absorção sonora dos forros para as freqüências de 250 Hz, 500 Hz, 1.000 Hz e 2.000 Hz. O índice compõe o catálogo dos principais fornecedores de forros e indica o grau de absorção acústica do produto.
  • Forro acústico de excelente absorção acústica - 0,75 a 1,00 NRC
  • Forro acústico de muito boa absorção acústica - 0,65 a 0,75 NRC
  • Forro acústico de boa absorção acústica - 0,50 a 0,65 NRC

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