PAULO MENDES DA ROCHA RECEBE PRÊMIO PRITZKER | aU - Arquitetura e Urbanismo

Cenário

PAULO MENDES DA ROCHA RECEBE PRÊMIO PRITZKER

Edição 146 - Maio/2006

O arquiteto brasileiro Paulo Mendes da Rocha recebeu dia 10 de abril o prêmio de arquitetura de maior prestígio no mundo: o Pritzker. É a segunda vez que um brasileiro é laureado desde 1979, quando o Pritzker foi estabelecido. O primeiro foi Oscar Niemeyer, em 1988, na única ocasião em que se dividiu o prêmio (com Gordon Bunshaft, dos Estados Unidos).

O júri deste ano foi composto por Lord Palumbo, presidente da mesa, pelo indiano Balkrishna Vithaldas Doshi, o suíço Rolf Fehlbaum e os norte-americanos Frank O. Gehry, Carlos Jimenez, Victoria Newhouse e Karen Stein. Todos se reuniram desde o começo do ano, na presença da diretora executiva do prêmio, Martha Thorne, para deliberar unanimemente o laureado. "Há uma meticulosa discussão sobre cada arquiteto inscrito. E todo o processo assegura o mais alto nível de debate e de independência nas discussões", explica Thorne.

Em citação oficial, o júri analisou a carreira de Mendes da Rocha como devotada "à criação de uma arquitetura guiada pelo senso de responsabilidade aos habitantes de seus projetos assim como por uma sociedade mais abrangente". Um dos principais pontos focados foi o uso inteligente de materiais simples, criando uma arquitetura arrojada. Lord Palumbo destacou que o mundo se influenciou pela "monumentalidade de seus edifícios e parcos materiais, que é sua marca registrada". Carlos Jimenez cita a "excepcional economia para alcançar uma arquitetura de profundo engajamento social".

O Prêmio Pritzker foi criado em 1979 pela Fundação Hyatt, que pertence à família norte-americana que dá nome ao prêmio. Os fundadores do prêmio, o casal Cindy e Jay A. Pritzker, este já falecido, acreditavam que um prêmio importante serviria tanto para estimular a visão do público quanto para inspirar a criatividade na arquitetura. Hoje, o filho mais velho do casal, Thomas J. Pritzker, é o presidente da Fundação Hyatt que entrega o prêmio. Além do certificado formal, o laureado recebe a quantia de 100 mil dólares e um medalhão de bronze baseado no design de Louis H. Sullivan, arquiteto de Chicago conhecido por seus arranha-céus. Segundo critérios da organização, a cada ano é nomeado um arquiteto vivo cuja obra arquitetônica tenha contribuído para a humanidade e para o ambiente construído.

Confira nesta edição de AU reportagem especial sobre o Museu da Língua Portuguesa, projeto de Paulo Mendes da Rocha e Pedro Mendes da Rocha em São Paulo, concluído em 2006. A reportagem traz uma entrevista com Paulo Mendes da Rocha e um artigo de Carlos Eduardo Comas sobre a obra do arquiteto.


No alto, o Museu Brasileiro de Escultura (Mube), em São Paulo (1988) e, acima, o croqui do Pavilhão Brasileiro para a Expo¿70 em Osaka, Japão (1969)


ENTREVISTA Singular & Plural

Paulo Mendes da Rocha recebeu a reportagem de AU um pouco antes do meio-dia de 10 de abril, data em que a nomeação do Pritzker foi oficialmente divulgada. Vestido de branco, cercado por amigos, ex-alunos e colaboradores, o arquiteto recebeu o repórter com abraço e afeto, em meio a pranchetas, fax, anotações, livros, riscos e rabiscos.

aU O que significou o Pritzker?

PAULO MENDES DA ROCHA
O prêmio, de qualquer forma, não é meu, mas de todos os arquitetos brasileiros. Antes de mim, no Brasil, foi Oscar Niemeyer. O importante nessa premiação não é a pessoa, mas as questões intelectuais e do debate arquitetônico atual, que passam pelo reconhecimento de uma arquitetura latino-americana que luta pela defesa da natureza, do meio ambiente, pelo direito à cidade, pela qualidade do ensino e pela inclusão social, pela aproximação das pessoas. É um prêmio que traz um estímulo para todos nós, arquitetos brasileiros. Um prêmio para o Brasil, para a FAU e para o IAB, que continuam a defender nossa condição profissional e a registrar nosso conhecimento. Voltamos, em suma, a ser reconhecidos pelo mundo.

aU Quando recebeu a notícia?

MENDES DA ROCHA
Ontem, dia 9.

aU A reação?

MENDES DA ROCHA
Surpresa e emoção, claro.


POR JOSÉ WOLF


Quem já ganhou o Pritzker

1979 - Philip Johnson (Estados Unidos)
1980 - Luis Barragán (México)
1981 - James Stirling (Reino Unido)
1982 - Kevin Roche (Estados Unidos)
1983 - Ieoh Ming Pei (Estados Unidos)
1984 - Richard Meier (Estados Unidos)
1985 - Hans Hollein (Áustria)
1986 - Gottfried Böhm (Alemanha)
1987 - Kenzo Tange (Japão)
1988 - Gordon Bunshaft (Estados Unidos) e Oscar Niemeyer (Brasil)
1989 - Frank O. Gehry (Estados Unidos)
1990 - Aldo Rossi (Itália)
1991 - Robert Venturi (Estados Unidos)
1992 - Alvaro Siza (Portugal)
1993 - Fumihiko Maki (Japão)
1994 - Christian de Portzamparc (França)
1995 - Tadao Ando (Japão)
1996 - Rafael Moneo (Espanha)
1997 - Sverre Fehn (Noruega)
1998 - Renzo Piano (Itália)
1999 - Sir Norman Foster (Reino Unido)
2000 - Rem Koolhaas (Holanda)
2001 - Jacques Herzog e Pierre de Meuron (Suíça)
2002 - Glenn Murcutt (Austrália)
2003 - Jørn Utzon (Dinamarca)
2004 - Zaha Hadid (Reino Unido)
2005 - Thom Mayne (Estados Unidos)


KÖNIGSBERGER, VANNUCCHI, BISELLI E KATCHBORIAN VENCEM CONCURSO EM CURITIBA





Os escritórios Königsberger Vannucchi e Biselli + Katchborian venceram o concurso público nacional para o projeto do Centro Judiciário de Curitiba, que teve 52 trabalhos inscritos. O resultado foi divulgado dia 7 de abril
e teve cerimônia de premiação dia 18. O projeto vencedor terá 170 mil m2 de área construída e deve abrigar todos os tribunais de justiça e juizados do Paraná. As obras têm início previsto para 2007, com investimento de 230 milhões de reais.

1º lugar: Gianfranco Vannucchi, Jorge Königsberger, Mario Biselli e Artur Katchborian (São Paulo, SP)
2º lugar: Guilherme Lemke Motta.
Co-autores: Gustavo Jacob, Felipe Annunziatto, Rafael Assiz, Victor Paixão. Colaborador: Pedro França (São Paulo, SP)
3º lugar: Braulio Mattana Carollo, Orlando Pinto Ribeiro, Luis Salvador Petrucci Gnoato. Colaboradores: Carlos Eduardo Urrutigaray Botelho, Carina Zamberlan Flores, Rosana Paciornik Nathan (Curitiba, PR)

Menções honrosas
  • Décio Tozzi, Helio Corallo, Marino Barros Filho. Colaboradora: Jéssica Genaro Faro (São Paulo, SP)
  • Emerson José Vidigal, José Gonzalea Aizprua e Wendy Ferreto (Curitiba, PR)
  • Hector Ernesto Vigliecca Gani, Luciene Quel, Ruben Carlos Otero Márquez, Carlos Arcos e Ronald Werner Fiedler (São Paulo, SP)


    GOIÂNIA INAUGURA CENTRO CULTURAL OSCAR NIEMEYER

    Construído sobre uma esplanada de 26 mil m2 e com projeto de Niemeyer, o Centro Cultural Oscar Niemeyer foi inaugurado dia 30 de março em Goiânia. Com área construída de 17 mil m2, o centro abriga uma biblioteca, o Monumento aos Direitos Humanos, o Museu de Arte Contemporânea e o Palácio da Música. João Niemeyer, sobrinho do arquiteto, coordenou e supervisionou o projeto de criação e construção do espaço.


    PRÊMIO ABILUX 2006 DIVULGA PROJETOS VENCEDORES

    A edição 2006 do Prêmio Abilux Empresarial de Design teve seus vencedores anunciados dia 4 de abril. Foram 25 luminárias e 18 empresas premiadas de um total de 142 inscrições dos estados de Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo. Confira os premiados.





    Iluminação residencial para mesa

    1º lugar: Lunna; empresa: Interpam Iluminação; design: Ingrid Vieira Peixoto

    2º lugar: Luminária Zen; empresa: Accord; design: Kantarq (Mário Vinícius Born e Maricilda Girardi)
    3º lugar: Ciclone; empresa: Dlafer; design: Daniel Lafer







    Iluminação residencial para parede
    1ºlugar: Arandela Reflexos ¿ Modelo 2245; empresa: Munclair; design: Munclair

    2ºlugar: Ice Longa Holográfico.AR; empresa: Bertolucci; design: Cristiana Bertolucci
    3ºlugar: Maya Extra; empresa: Bertolucci; design: Cristiana Bertolucci





    Iluminação residencial para teto
    1ºlugar: Pendente decorativo D-550; empresa: Revoluz; design: Revoluz
    2ºlugar: Flat 12MM; empresa: New Line; design: Volmar Ferreira da Silva
    3ºlugar: Sotile Pendente/EL-44-0165; empresa: Ever Light; design:
    Giuliano Brandi

    Iluminação residencial para jardins e áreas externas
    1ºlugar: Luminária Apollo; empresa: Indústria Brasileira de Reatores Ultra Watts; design: Benedicto Olívio Nogueira e Edmur
    2ºlugar: Poste Metacrilato Ref. 418; empresa: Lucci; design: Adriana Bernardes e Cláudio Bernardes
    3ºlugar: Arandela Metacrilato (Ref. 396); empresa: Lucci; design: Adriana Bernardes e Cláudio Bernardes

    Iluminação comercial para bancos e escritórios
    1ºlugar: Luminária Luxion Slim; empresa: Focus Lighting; design: Celso Tissot e Fernanda Tissot
    Luminária 3430; empresa: Itaim Iluminação; design: Thiago Nava e Itaim Iluminação
    2ºlugar: Plafon P-01-0099 ES; empresa: ViaLight Iluminação; design: ViaLight
    3ºlugar: E-458; empresa: Revoluz; design: Revoluz

    Iluminação comercial para lojas e shoppings
    1ºlugar: Embutido Treenne Tapa; empresa: Ella Design em Iluminação; design: Cíntia Palenzuela, Fernando Pestana e Raquel Farias
    2ºlugar: Sotile Spot/EL-50-0360; empresa: Ever Light; design: Giuliano Brandi
    3ºlugar: Slim Inclinada/EL-20-0831; empresa: Ever Light; design: Giuliano Brandi

    Iluminação pública para jardins e praças
    1ºlugar: Luminária Apollo; empresa: Indústria Brasileira de Reatores Ultra Watts; design: Benedicto Olívio Nogueira e Edmur
    2ºlugar: Luminária Balizadora Eco; empresa: Conipost; design: Índio da Costa Design

    Iluminação monumental
    1ºlugar: Projetor Power Led Line Colormix VPLC010; empresa: Vertex; design: João Tcacenco

    Iluminação industrial
    1ºlugar: ERA - SL; empresa: Guarilux; design: Edison Marques de Oliveira
    2ºlugar: IDAM; empresa: Guarilux; design: Luis Antonio Bianchi Filho

    Iluminação de vias públicas
    ILP-300; empresa: Ilumatic; design: Ilumatic


    ASBEA escolhe novo presidente até 2009





    O arquiteto Ronaldo Rezende (foto) é o novo presidente da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura. Eleito em chapa única durante a 34a Assembléia Geral Ordinária (foto), realizada entre 27 de abril e 1o de maio no Club Med Rio das Pedras, em Mangaritiba, Rio de Janeiro, cumprirá mandato até 2009. Ex-presidente da AsBEA no Rio de Grande do Sul, Rezende vai administrar um orçamento anual estimado em 2 milhões de reais e promete levar adiante o projeto de "nacionalização" da entidade, que ganhou força durante a gestão de Jorge Königsberger (2004-2006). Primeiro presidente cuja atuação profissional está focada fora do eixo Rio-São Paulo, Rezende possui entre os principais desafios dobrar o número de regionais (hoje são apenas três: Rio Grande do Sul, Paraná e Rio de Janeiro), aumentar em cerca de 50% o número de escritórios e empresas associadas e criar a AsBEA São Paulo, que hoje não existe oficialmente e acaba se misturando às iniciativas da entidade nacional. Pretende desenvolver também um programa de marketing de relacionamento baseado na pontuação por comparecimento e participação dos associados aos eventos e atividades da entidade. Entre as principais bandeiras de sua gestão, Rezende destaca o combate à Lei de Licitações 8.666 e à concorrência predatória entre as empresas de projeto de arquitetura. Durante a assembléia, uma das palestras que mais despertou a atenção dos 96 arquitetos presentes tratou das atuais formas de remuneração dos escritórios.

    O arquiteto Pedro Gabriel de Castro, vice-presidente da AsBEA-RS, e a consultora Fernanda Zannoni apresentaram um modelo de planilha eletrônica que, em vez de calcular os honorários a partir de um percentual sobre o custo da obra ou metragem construída, tem como principal parâmetro o conceito de hora/escritório. Tal metodologia considera o valor de venda das horas produtivas do escritório como um todo.

    O sistema auxilia no cálculo dos impostos e custos fixos e diretos e permite que o arquiteto titular estabeleça a margem de lucro desejada.

    A planilha está disponível gratuitamente para associados da AsBEA no site www.asbea.org.br. Mais informações: (11) 3168-4982, asbea@asbea.com.br






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