Parque compõe uma síntese da Amazônia no coração de Belém e leva consciência ecológica à população | aU - Arquitetura e Urbanismo

Urbanismo

Parque compõe uma síntese da Amazônia no coração de Belém e leva consciência ecológica à população

Texto original de Éride Moura
Fotos Elza Lima
Edição 132 - Março/2005

No entorno do Centro Histórico de Belém e às margens do rio Guamá, foi inaugurado em janeiro o Parque Naturalístico Mangal das Garças. Com cerca de 40 mil m2, o parque apresenta uma síntese do ambiente amazônico, com suas matas de terra firme, matas de várzea e os campos. Segundo os arquitetos que atuaram no projeto, o parque foi concebido de forma a unir preservação da natureza com pedagogia e lazer. Assim, o novo espaço pode ser explorado visualmente mas também de maneira dinâmica, proporcionando ao visitante um convívio com a sua circunstância ambiental, sem destruí-la.

Implantado no coração de Belém, ao lado do Arsenal da Marinha e em meio à inusitada paisagem do aningal - vegetação típica do mangue local -, o Mangal das Garças dá continuidade aos projetos que o arquiteto Paulo Chaves vem realizando nesses dez anos à frente da Secretaria de Cultura e que visam, principalmente, a recuperação de edifícios de reconhecido valor histórico e a reintegração de importantes áreas da orla fluvial, reincorporando-os a vida da cidade.

O traçado do parque procurou enfatizar a topografia local, harmonizando os acessos com as vias existentes e com os terrenos do entorno. De autoria do escritório da arquiteta Rosa Kliass, de São Paulo, o tratamento paisagístico partiu do respeito pela vegetação nativa predominante na área, ou seja, o próprio aningal. A vegetação complementar implantada foi constituída, quase na sua totalidade, por espécies da flora amazônica de terra alta, consideradas as limitações ecológicas para suas adaptações. Forrações rasteiras, arbustos de efeito plástico e, em alguns casos, moderadas ondulações no terreno foram usadas de forma complementar.

Acima, o edifício do Memorial Amazônico da Navegação. Abaixo, à esquerda, o Mirante do Rio, disposto no final de uma passarela que parte do nível do restaurante do Memorial. À direita, as Lâminas d'água: Cavername, criação de Geraldo Teixeira. Com paisagismo de Rosa Grena Kliass, o Parque oferece momentos de contemplação e aprendizado sobre a exuberância da Amazônia



Aproveitando a presença do rio, foi criado um lago no centro do parque, onde foi implantado um minizoológico. No local, convivem diferentes espécies da fauna amazônica, como garças, maguaris, guarás, socós, marrecos, além de cágados e tartarugas, todos criteriosamente selecionados de acordo com a regulamentação do Ibama. Em torno desse lago artificial foram traçados caminhos e passeios pavimentados, que interligam estacionamentos, áreas de estar e equipamentos de lazer e de serviços.

Os elementos arquitetônicos introduzidos foram tratados de forma ordenada como partes integrantes e integradoras do parque, em perfeita harmonia com a paisagem. Próximo ao pórtico de acesso e ao prédio da administração, foi remontado e reciclado um antigo galpão de ferro doado à Secretaria de Cultura e destinado à exposição e venda de plantas da Amazônia. Mais adiante, a atração é o percurso pelo interior dos dois grandes viveiros - o de borboletas e beija-flores e o de pássaros -, nos quais o visitante pode apreciar livremente as atividades desses animais, sem anteparos que interfiram na interação entre as pessoas e essas outras espécies. Uma estrutura metálica sustenta a tela leve que recobre os dois espaços.

Com a inauguração do grande viveiro de borboletas e beija-flores, o maior do País, a Secretaria de Cultura espera que Belém, que já foi conhecida como a "cidade das borboletas", volte a constituir habitat para esses delicados animais, que estavam desaparecidos em conseqüência da devastação das florestas próximas à capital. Para esse trabalho, a Secult conta com a consultoria da Recriar, empresa paulista especializada no design de zoológicos e que adota o conceito de semiliberdade, segundo o qual os animais são alocados em grandes áreas com limitações imperceptíveis.
As rampas construídas com peças de ipê lavrado conduzem ao restaurante, no piso superior do edifício do Memorial da Navegação. Ao fundo é possível ver o Mirante do Rio. Com 40 mil m², o Mangal das Garças atrai uma média de 28 mil pessoas nos finais de semana


Além dos vários quiosques para venda de iguarias regionais, a área conta com um restaurante, que ocupa, juntamente com o Memorial Amazônico da Navegação, o grande pavilhão central. Com dois pavimentos, a edificação aparece implantada sobre um promontório que avança sobre a várzea do rio Guamá, permitindo, através de uma passarela de 100 m de comprimento, uma visão privilegiada do mangue e da silhueta do Centro Histórico da cidade.

Outro ponto de destaque no parque é o Farol de Belém, que faz parte da carta náutica brasileira e foi executado em parceria com a Marinha. Sua torre de 42 m de altura, toda estruturada em aço, abriga o reservatório de água do parque e ainda tem dois níveis de mirantes, cujos acessos são feitos por escadas ou por elevador.





PARQUE MANGAL DAS GARÇAS

DADOS TÉCNICOS
Local: Belém, PA
Projeto: 1999
Conclusão da obra: janeiro de 2005
Área do terreno: 40.000 m2
Área construída: 3.930 m2
Área urbanizada: 36.070 m2

FICHA TÉCNICA
Projeto de arquitetura e fiscalização: Paulo Chaves Fernandes, Rosário Lima, Aurélio Meira, Mariângela Melo, Sérgio Neves, Gustavo Leão, Leila Barbosa, Karla Costa
Projeto paisagístico: Rosa Grena Kliass Execução: João Batista da Silva, André Cardoso e Arteverde Jardins e Parques
Programação visual: Arteverde Jardins e Parques ¿ Luciano Oliveira e Paulo Chaves Fernandes
Projeto elétrico e de iluminação: Replacom - Nilson Amaral de Jesus e Le Luci - Paulo Rodrigues dos Santos
Projeto estrutural: Archimino Athayde
Projeto de ar-condicionado: A & C Consultoria e Projetos - Aristágoras Castro
Consultoria e implantação de fauna: Recriar Animais em Cena - Attílio Giovanardi e Iara Biasia
Curador da coleção de borboletas - William Leslie Overal
Consultor em beija-flores - Wilson Achutti
Consultor em borboletas - Ivan Assunção Pimenta
Acompanhamento: Guataçara Gabriel, Roberto Lima, Igor Seligman
Projeto museológico e museográfico: Paulo Chaves Fernandes e Rosangela Marques de Britto
Responsabilidade técnica da obra: Secult - Secretaria da Cultura do Estado do Pará
Execução: Engeplan - Engenharia e Planejamento


MEMORIAL AMAZÔNICO DA NAVEGAÇÃO

FICHA TÉCNICA
Projeto museológico e museográfico: Paulo Chaves Fernandes e Rosangela Marques de Britto
Acompanhamento: Vanessa Ribeiro
Projeto luminotécnico: Paulo Chaves Fernandes e Paulo Rodrigues dos Santos
Execução do projeto luminotécnico: Le Luci
Programação visual: Luciano Oliveira e Paulo Chaves Fernandes
Curadoria: Emanuel Franco, Paulo Chaves Fernandes, Rosangela Marques de Britto, Maria Angélica Meira
Pesquisa: Alan Coelho, Alessandra Mafra, Emanuel Franco, Fabiano Moraes, Nélio Ribeiro Moreira, Maria Angélica Meira
Documentação museológica: Fátima Cruz, José Antônio Dias, Fábio Quaresma
Textos: Alan Coelho e Fabiano Moraes
Tradução: Robert W. Finnigan
Conservação e restauração do acervo: Renata Maués, Almir Rodrigues, Júlio Silva Júnior, Susanna Teles, Tânia Veloso, Alcione Ribeiro, Igor Mendes, Virgínia Saavedra
Montagem: Sinamor Navarro, Suyane Macedo, Vanessa Ribeiro, Yara Souza, Anna Cristinna Meirelles, Zara Quaresma
Execução vitrines: Imaço - José Carlos Porpino de Oliveira



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