Passada a moda, fica o estilo | aU - Arquitetura e Urbanismo

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Passada a moda, fica o estilo

Painéis de ACM ultrapassam as fachadas e ganham novas versões e aplicações. Porém, especificação correta e atenção com a instalação ainda são fundamentais para garantir desempenho e resultado estético

Texto original de Juliana Nakamura
Edição 120 - Março/2004
Após o boom de crescimento registrado na década de 90, os painéis de alumínio composto vêm procurando se firmar no mercado como mais uma opção para revestimentos. Quando chegou ao Brasil há pouco mais de dez anos, o material formado por duas placas de 0,5 mm de alumínio e núcleo de polietileno estava restrito a fachadas de empreendimentos comerciais, sobretudo quando o objetivo era conferir uma imagem futurista. Hoje, no entanto, o ACM (em inglês, Aluminum Composite Material) é explorado também em outros segmentos, tanto em aplicações internas quanto externas.

Assim, embora continue sendo utilizado em fachadas, e com freqüência em obras de retrofit, visto que pode ser instalado diretamente sobre o acabamento antigo, o ACM pode ser visto também em peças de comunicação visual, como totens, testeiras, displays e back lights. O material pode ser empregado ainda para revestir colunas, pórticos, paredes internas, luminárias e peças de mobiliário. Outra aplicação interessante é no revestimento de divisórias, por causa da atenuação acústica proporcionada pelo sanduíche com termoplástico. A indústria já produz, inclusive, modelos com espessura e pintura adequadas a essas novas aplicações.

Enquanto em fachadas a espessura mais usual é de 4 mm, chegando às vezes a 6 mm, em comunicação visual, onde nem sempre o elemento arquitetônico está sujeito a intempéries, podem-se empregar painéis mais esbeltos, com 3 mm de espessura, e acabamento mais econômico.

Tais aplicações estão associadas diretamente com a maleabilidade do produto, que pode ser curvado, dobrado e fresado, favorecendo a adoção de modulações variadas, exploração de volumetrias e formas. Assim, enquanto outros revestimentos costumam refletir o desenho da estrutura, o painel de alumínio composto pode, por si, constituir a linguagem da edificação. Por serem leves - cerca de 5,6 kg/m² - o manuseio é fácil, proporcionando economia no transporte e na instalação. "Além disso, a placa de 4 mm atenua até 26 dB de som do ambiente externo para o interno. Quanto ao isolamento térmico, os ensaios apontam uma redução média de 10°C entre ambientes externos e internos", afirma Anderson Oba, coordenador de marketing da Divisão de Extrudados da Alcoa.

Ainda segundo Oba, se corretamente instalado e submetido a manutenções regulares, o ACM tem durabilidade indefinida. O que pode ocorrer depois de alguns anos, dependendo da intensidade de exposição a intempéries, são variações de cor. Por isso, além de garantir as chapas, os fornecedores costumam oferecer garantia também da pintura. "Esta garantia é calculada com base na norma ASTM D-2244-85, que determina qual a variação de tonalidade que aquela chapa pode apresentar com o passar do tempo", esclarece Oba.


Ajuste milimétrico

A fixação dos painéis, entretanto, envolve uma série de cuidados que incluem do manuseio do material no canteiro de obras à aplicação dos elementos de vedação e alinhamentos sobre a estrutura. Os painéis chegam à obra usinados, cortados e calandrados sob medida em processos industriais, revestidos com um filme de proteção, prontos para execução.

O bom trabalho de instalação, realizado por mão-de-obra especializada, é determinante para conferir a estética, a planicidade e a vedação desejadas.

Em geral, os painéis são aparafusados ou colados sobre uma subestrutura de alumínio. O encontro dos painéis de ACM com o suporte de fixação é o ponto mais delicado na instalação. "Por isso, é importante que haja um bom dimensionamento das chapas, caso contrário, a superfície apresentará variações, principalmente nas juntas de encontro", salienta Maria Fernanda Castanheira, diretora da Alubond. Pelo mesmo motivo, parafusos apertados de forma excessiva e desigual, desprezando o alinhamento externo, resultam em saliências. "É fundamental que o instalador atente para o gabarito, de forma a evitar que um painel seja aparafusado mais à esquerda ou à direita, criando juntas com diferentes aberturas", continua.

A escolha da metodologia a ser empregada deve ser feita logo no início do projeto. São várias as possibilidades, já que cada instaladora usa seu know-how próprio para fazer adaptações e criar um método. Um dos mais utilizados é o sistema rebitado, que dispensa abas e que, por isso, chega a ser de 10% a 15% mais barato que outras formas de instalação. No entanto, embora o rebite possa ser pintado da mesma cor que o painel, essa solução costuma ser rejeitada pelos arquitetos por motivos estéticos. "Por isso, estamos tentando divulgar sistemas de instalação mais vantajosos, tanto estética quanto economicamente", diz José Carlos Sanchez, gerente técnico de exportações da Alcan Composites.

Entre essas técnicas está o sistema de fachadas ventiladas, mais barato por dispensar a utilização de travessas e selantes, além de mais rápido.

Indicado principalmente para retrofit de fachadas ou para locais cuja temperatura externa seja muito elevada, esse sistema permite que as paredes "respirem". Ou seja, proporciona conforto térmico por causa da formação de um colchão de ar entre o painel e a fachada, refletindo em menor consumo de ar-condicionado. Entretanto, o sistema exige a impermeabilização da alvenaria porque, assim como o ar, a água também atinge o espaço entre o revestimento e a parede. "Mas também é possível utilizar sistemas mistos e proteger as fachadas que recebem maior incidência solar com a solução ventilada, enquanto nas elevações à sombra pode ser aplicada a opção fechada", propõe a diretora da Alubond. Outra possibilidade, segundo Maria Fernanda Castanheira, seria adotar ambos os sistemas numa única fachada.

Já o sistema de juntas secas, recomendado principalmente para uso interno, utiliza gaxetas, o que limita a aplicação do silicone aos pontos de cruzamento das juntas verticais com as horizontais. Isso permite um melhor acabamento, já que a gaxeta retém menos sujeira que o silicone. Porém o custo também é um pouco maior, mesmo considerando a economia com mão-de-obra: a gaxeta de silicone é um produto mais caro.


Limpeza fácil, mas freqüente

No entanto, o que determina a escolha por determinado método de instalação geralmente é o tipo de obra e os custos. Além disso, o tempo de execução também pode ser um fator determinante. Segundo Maria Fernanda Castanheira, enquanto no sistema convencional são fixados cerca de 50 m²/dia (considerando o material já pronto para a instalação), no sistema ventilado esse índice sobe para 150 m²/dia.

Maria Fernanda explica que, embora dispense as juntas de dilatação, o sistema de juntas secas é o menos produtivo e o trabalho rende apenas 25 m²/dia. "O cuidado com a medição deve ser redobrado porque possíveis diferenças não podem ser compensadas com silicone", alerta.

Preocupações estéticas também podem interferir na escolha do processo de instalação. Assim como o vidro, os painéis de ACM precisam de apenas água e sabão para manutenção. Porém, exigem limpeza freqüente. "Por isso, é essencial que tanto quem especifica quanto quem executa saiba da importância de se ter projetos autolimpantes e de fácil acesso para manutenção", ressalta José Carlos Sanchez, da Alcan. Em outras palavras, devem ser previstas soluções arquitetônicas que estabeleçam um caminho para escoamento da água da chuva e para evitar que a poeira fique retida na superfície do painel.

Além desses fatores, a especificação dos painéis deve considerar a relação existente entre suas dimensões e espessura. O recomendável é utilizar chapas de 4 mm para um painel de, no máximo, 1,30 m x 1,30 m. Quando a chapa for maior, será necessário colar um perfil de reforço.

No caso de formas cônicas e curvas, o raio é determinado pela altura da peça, em virtude dos equipamentos disponíveis para usinagem. "Peças com 1.200 mm e 3.800 mm de altura, por exemplo, atingem raios de 75 mm e 155 mm respectivamente", explica Maria Fernanda.

Para auxiliar especificadores e instaladores, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) está concluindo, junto com a Associação Brasileira do Alumínio (ABAL) e com o apoio dos principais fabricantes, a primeira norma técnica para ACM. Segundo explica Nazir Abdo, da Comissão de Construção Civil da ABAL, o texto, que deve ser colocado em consulta pública entre maio e junho, contemplará requisitos de projeto e produção de painéis e chapas sólidas e compactadas de ligas de alumínio para fins de fachada e revestimentos arquitetônicos. "O objetivo é referenciar o setor nivelando os produtos que atendem à norma e proteger os consumidores", conclui Abdo.


À procura de um espaço




Criados na Alemanha nos anos 60, os painéis compostos de alumínio só chegaram ao Brasil no final da década de 80. Durante os anos seguintes,
o material, importado dos Estados Unidos e distribuído por poucas empresas, foi empregado em grandes obras, sobretudo em empreendimentos comerciais de alto padrão, com a intenção de conferir um aspecto futurista às fachadas.

Um exemplo desse período é o edifício Plaza Centenário, mais conhecido em
São Paulo como "Robocop", projetado em 1988 por Carlos Bratke. Segundo José Carlos Sanchez, gerente técnico de exportações da Alcan Composites, entre 1995 e 2000 houve um aumento exponencial do uso desse tipo de revestimento, o que permitiu a redução de preços. Muitas empresas lançaram-se nesse negócio e, em 2000, no auge da moda do ACM, estima-se que o mercado tenha chegado a 500 mil m² instalados.

De lá para cá, contudo, houve uma retração e muitas empresas deixaram de oferecer o material. Sensível às flutuações do dólar, a utilização do produto acompanha o crescimento da economia e do setor de construção. Hoje, embora boa parte dos painéis de ACM já seja fabricada no Brasil, os números são mais modestos e atingem cerca de 300 mil m²/ano.


Arrojo em Formas e cores




Quando concebeu o edifício que abrigaria um museu em homenagem à sua mãe,
a artista plástica Tomie Ohtake, o arquiteto Ruy Ohtake buscou inspiração nas formas criativas e cores fortes que se tornaram marca das obras da artista nipo-brasileira. Construído em local privilegiado da zona Oeste de São Paulo, o edifício Ohtake Cultural abriga o Instituto Tomie Ohtake, teatro e torre de escritórios.

O impacto da fachada foi obtido a partir da combinação de materiais como vidros e painéis de ACM, que receberam cores e curvas em diferentes ângulos.

Utilizado para revestir a estrutura ondular, o material foi aplicado com diversos sistemas de juntas que conferiram conformações planas e curvadas.

Ao todo, foram utilizados cerca de 3.500 m² de chapas em cinco tons, variações de azul e vermelho. Com 1.270 mm de largura, os painéis importados dos Estados Unidos têm 3,8 mil mm e 4,8 mil mm de comprimento. A construção do Ohtake Cultural foi realizada em várias etapas. Entretanto, todo o ACM foi adquirido de uma só vez para evitar que painéis fossem produzidos com diferença de tonalidade, sobretudo por se tratar de cores especiais.

Ohtake Cultural
Projeto: 1995
Conclusão da 1a fase da obra: 2001
Arquitetura: Ruy Ohtake
Incorporação: Aché Laboratórios Farmacêuticos
Construção: Método Engenharia
Gerenciamento: Serplan

Tipos de pintura para painéis de ACM

Boa parte da durabilidade atribuída ao ACM se deve a pinturas especiais que os painéis recebem ainda em fábrica. Alguns dos sistemas mais utilizados:

  • Pintura à base de tinta poliéster ou acrílica - indicada principalmente
    para uso interno, sobretudo em peças de comunicação visual. Também pode
    ser empregada em áreas externas, mas a durabilidade pode ser comprometida

  • Pintura fluorcarbono - mais resistente que a poliéster, pode ser utilizada tanto em ambientes internos quanto externos. Também é muito empregada em comunicação visual, assim como em bancos e postos de combustível

  • Kynar - é a mais durável e também a mais cara: pode custar quase 20% a mais do que a fluorcarbono. Trata-se de tinta com base em polivinilideno fluorado (PVDF). A pintura é feita em três camadas: um primer especial, verniz metálico e verniz de superfície, resultando em película com elevada resistência química e contra radiação ultravioleta, permitindo garantir cor e brilho por mais de 15 anos.
    Alumínio composto x alumínio puro

    Além do ACM, uma opção para revestimento metálico é o painel sólido integralmente de alumínio. As chapas únicas com 1,5 mm de espessura podem ser aplicadas nos mesmos locais que recebem o ACM, tanto em ambientes internos como externos, mas com a vantagem de serem recicláveis.

    Entretanto, o desempenho termoacústico do material é inferior ao do alumínio composto. Por ser mais rígido, o ACM requer menos estruturação que o painel sólido e, em consequência, pode ser empregado em maiores dimensões. Além disso, embora possa ser dobrada ou curvada, a chapa de alumínio puro é menos flexível que a de ACM devido à ausência de polietileno. "A pouca flexibilidade aumenta o risco de rachaduras e de quebra de abas de instalação quando o raio é muito fechado", revela Maria Fernanda Castanheira, diretora da Alubond.






    MULTIUSO

    O Alusign é um revestimento de puro alumínio indicado para aplicações internas e externas. Pode ser empregado em totens, pórticos, recobrimentos de estruturas metálicas, fachadas, pilares e vigas.
    MO 55078












    VÁRIAS SEÇÕES

    Os painéis Reynobond são produzidos por processo contínuo nas espessuras totais de 3 mm, 4 mm, 5 mm e 6 mm, com várias alternativas de comprimentos e de larguras. As chapas de alumínio são pintadas antes do processo de fabricação dos painéis pelo processo Kynar 500.
    MO 55074













    RECICLAGEM

    Composto de 100% alumínio, o Wallcap é reciclável e indicado para aplicação
    em fachadas e interiores. A versão Façade, com 1,5 mm de espessura,
    é empregada tanto na construção de obras novas quanto em reformas.
    MO 55079









    DOSE DUPLA

    O sistema da Bimetal é formado por duas chapas de alumínio de 0,5 mm de espessura recheadas com polietileno. A estrutura de sustentação é feita com colunas em perfil U de alumínio e as ancoragens de aço galvanizado são fixadas na parede por chumbadores. Os parafusos de fixação também são de aço inoxidável e a vedação nas juntas é feita com tarucel e silicone.
    MO 55076










    CLICADOS

    O sistema da Alubond para fixação dos painéis dispensa o desmonte de acabamentos existentes ou a paralisação das atividades instaladas na edificação. Os painéis recebem uma usinagem especial, são clicados sobre os perfis especialmente extrudados e travados por uma baguete, que recebe o tarucel de silicone (gaxeta).
    MO 40530










    VERSÃO ECONÔMICA

    O Dibond, da Alcan, é formado por duas chapas de alumínio de 0,3 mm de espessura mais um núcleo de polietileno, atingindo espessuras totais de 2,3 mm ou 4 mm. Com pintura poliéster ou acrílica, em diversas cores e tamanhos, é mais econômico e próprio para aplicação em interiores e comunicação visual.
    MO 55073










    ALTA RESISTÊNCIA

    A Poliwork distribui painéis de ACM com 3 mm, 4 mm e 6 mm de espessura para diversas finalidades. Segundo a empresa, um painel de 4 mm de ACM tem a mesma resistência que uma placa de alumínio sólido de 3,3 mm ou uma de aço de 2,4 mm, e pesam apenas 5,6 kg/m².
    MO 55082











    ESBELTO

    Conhecido como painel-colméia, o Alucore, da Alcan, é composto por núcleo de alumínio em forma de favo disposto entre duas chapas também de alumínio. Existe nas espessuras de 6 mm e 10 mm, com faces de 1 mm e 0,5 mm, e 15 mm, 20 mm e 25 mm, com faces de 1 mm. Leve e rígido, pode ser usado em forros, pisos, fachadas e mobiliário urbano, entre outras aplicações.
    MO 55080











    SINALIZAÇÃO

    Integrante da linha de comunicação visual e sinalização da Alcan, o Wallcap
    Sign tem 0,8 mm de espessura. Dessa forma, pode ser aplicado também em revestimento de móveis. A linha dispõe de 18 opções de cores.
    MO 55081











    PRODUZIDO NO BRASIL

    Fabricado pela Alcan em Camaçari, na Bahia, o Alucobond é formado por duas chapas de alumínio de 0,5 mm de espessura mais um núcleo de polietileno, nas espessuras totais de 3,4 mm ou 6 mm.
    MO 55072









    FLEXIBILIDADE

    O ACM Bond está disponível nas dimensões 102 mm, 1.250 mm e 1.575 mm x 5.000 mm. Com pintura PVDF, as chapas podem ser limpas apenas com detergente neutro e água. O painel de 4 mm pesa 4,8 kg/m² e o raio mínimo de curvatura é de 15 vezes a espessura do painel.
    MO 55075











    SÓ ALUMÍNIO

    Alurevest é um revestimento em chapas de 100% alumínio para fachadas e interiores, pré-pintado e com acabamento Kynar 500. Com 1,5 mm de espessura, é comercializado em chapas de 1.250 mm x 3.000 mm e 1.500 mm x 3.000 mm, além de outras medidas sob consulta. Pesa 4,06 kg/m² e o raio mínimo interno de dobra da chapa é de 1,5 mm.
    MO 55077


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